Serra da Bodoquena reúne águas turquesa, biodiversidade rara e formações geológicas milenares no coração do MS
Águas cristalinas em tons de verde-turquesa, paredões rochosos que chegam a 90 metros de altura e um conjunto de paisagens que remete a destinos internacionais. Apesar da aparência exótica, o cenário está no Centro-Oeste brasileiro, dentro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, no sudoeste de Mato Grosso do Sul.
Com cerca de 77 mil hectares, a unidade de conservação se estende pelos municípios de Bonito, Jardim e Bodoquena, sendo o único parque nacional totalmente localizado em território sul-mato-grossense. Criado em setembro de 2000, o parque é classificado como área de proteção integral, permitindo apenas o uso indireto dos recursos naturais, como pesquisas científicas, educação ambiental e visitação controlada.
Biodiversidade e riqueza natural
Inserida majoritariamente no bioma Cerrado, a área também abriga fragmentos de Mata Atlântica, o que amplia significativamente sua diversidade ecológica. A flora inclui espécies como aroeira, peroba, gonçalo-alves, jatobá-mirim e pau-alazão. Já a fauna reúne animais emblemáticos da fauna brasileira, entre eles onça-pintada, tamanduá-bandeira, lobo-guará, ariranha, harpia e arara-azul-grande.
Além da biodiversidade, a Serra da Bodoquena se destaca pelas formações cársticas, com cavernas, grutas, dolinas, sumidouros e rios subterrâneos moldados ao longo de aproximadamente 500 milhões de anos, conforme dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
Trilhas abertas ao público
Atualmente, duas trilhas estão abertas à visitação, sempre com acompanhamento obrigatório de condutores credenciados pelo ICMBio — são cerca de 180 profissionais habilitados.
Em Bonito, a trilha do Rio Perdido leva o visitante a acompanhar o fenômeno natural em que o rio desaparece em uma gruta, percorre um trecho subterrâneo de cerca de 1,2 km e ressurge entre rochas e vegetação nativa. O percurso total é de 3,5 km e permite caminhadas, banho de rio e flutuação.
Já em Bodoquena, a trilha do Cânion do Rio Salobra, aberta em 2022, percorre cerca de 5 km em meio a paredões rochosos e águas esverdeadas. O trajeto alterna trechos secos e caminhadas dentro do leito do rio, prática conhecida como acquatrekking, além de pontos destinados à flutuação.
Água cristalina e formação geológica
O tom verde-turquesa das águas é explicado pela presença de rochas calcárias ricas em carbonato de cálcio. Ao se dissolverem, esses minerais ajudam a filtrar impurezas, garantindo águas extremamente límpidas e visualmente vibrantes. O mesmo processo geológico é responsável pela grande quantidade de cavernas e sistemas subterrâneos da região.
Mais do que um destino turístico, a Serra da Bodoquena se consolida como um patrimônio natural estratégico para a conservação ambiental e para o desenvolvimento do ecoturismo sustentável em Mato Grosso do Sul.









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