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H. pylori e gastrite: estudo revela resultados promissores com probiótico

por | jun 10, 2026 | NOTÍCIAS, SAÚDE, SLIDER | 0 Comentários

A bioquímica chilena Apolinaria García Cancino passou quase duas décadas estudando uma bactéria que, silenciosamente, faz parte da rotina de milhões de pessoas no mundo inteiro. A Helicobacter pylori, conhecida como H. pylori, pode permanecer anos no organismo sem sintomas aparentes, mas também está associada a problemas que impactam diretamente o dia a dia: dores no estômago, queimação, gastrite, refluxo, sensação constante de desconforto após as refeições e até úlceras.

Para muita gente, sintomas considerados “normais” da correria diária acabam escondendo algo maior. Aquela azia frequente depois do almoço, o desconforto ao tomar café, o estômago “pesado” durante o trabalho ou a dor recorrente ao dormir podem ter relação com a presença da bactéria.

Foi justamente pensando nesse impacto cotidiano que a pesquisadora desenvolveu um probiótico específico para agir contra a H. pylori no organismo humano. Após mais de 17 anos de pesquisas na Universidade de Concepción, no Chile, os testes clínicos mostraram resultados que chamaram atenção da comunidade científica internacional.

Segundo os dados divulgados, apenas 2,7% das pessoas que utilizaram o probiótico continuaram apresentando presença da bactéria. No grupo placebo, o índice chegou a 34,2%.

A proposta da tecnologia é diferente dos tratamentos tradicionais à base de antibióticos. O probiótico atua criando uma espécie de barreira biológica no estômago, dificultando a permanência da bactéria e ajudando no equilíbrio da microbiota gástrica.

O tema ganhou ainda mais relevância porque a H. pylori é considerada uma das infecções bacterianas mais comuns do planeta. Especialistas estimam que grande parte da população mundial já teve contato com ela, muitas vezes sem sequer saber.

Além das gastrites e úlceras, a bactéria também é apontada como um dos principais fatores de risco para o câncer de estômago, aumentando o alerta sobre a importância do diagnóstico precoce e dos cuidados com a saúde digestiva.

A descoberta rendeu à cientista chilena o prêmio de “Inventora do Ano”, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial do Chile. Mesmo com os resultados promissores, os pesquisadores reforçam que os estudos continuam e que o probiótico ainda não substitui acompanhamento médico ou tratamentos convencionais.

O avanço, porém, já começa a levantar uma discussão importante: quantas pessoas convivem diariamente com sintomas considerados comuns, sem imaginar que podem estar ligados a uma bactéria silenciosa instalada no próprio organismo?

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