O governo federal iniciou, nesta segunda-feira (2), a liberação de R$ 3,9 bilhões referentes à segunda parcela dos valores retidos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para trabalhadores que aderiram à modalidade saque-aniversário.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a medida beneficia 822,6 mil trabalhadores que foram demitidos entre janeiro de 2020 e 20 de dezembro de 2025 e que ainda possuíam saldos remanescentes vinculados à modalidade.
Os pagamentos seguem até o dia 12 de fevereiro. A maior parte dos valores será creditada automaticamente nas contas bancárias cadastradas no aplicativo FGTS. Para quem não informou dados bancários, o saque poderá ser feito nos terminais de autoatendimento da Caixa Econômica Federal, casas lotéricas ou unidades do Caixa Aqui.
Na primeira etapa, autorizada por medida provisória publicada em 23 de dezembro, foram liberados R$ 3,8 bilhões, alcançando mais de 14 milhões de trabalhadores em todo o país.
Críticas ao saque-aniversário
Em nota oficial, o MTE voltou a criticar a modalidade, classificando-a como uma “penalização injusta” ao trabalhador. Segundo o ministro Luiz Marinho, o saque-aniversário impede o acesso integral ao FGTS no momento da demissão, justamente quando o recurso é mais necessário.
“O FGTS é uma poupança criada para amparar o trabalhador em momentos de desemprego, mas, na prática, ele não consegue acessar esse dinheiro quando mais precisa”, afirmou o ministro.
Impacto dos empréstimos
Dos 14,1 milhões de trabalhadores com saldo disponível, 9,9 milhões têm parte do valor comprometida com empréstimos bancários contratados por meio da antecipação do saque-aniversário. Outros 2,1 milhões possuem o saldo totalmente comprometido, sem valores disponíveis para retirada.
Desde a criação da modalidade, em 2020, cerca de R$ 197 bilhões já foram liberados. Desse total, 40% chegaram diretamente aos trabalhadores, enquanto 60% foram repassados a bancos, em operações de crédito.
Atualmente, 40,3 milhões de pessoas aderiram ao saque-aniversário, dentro de um universo de 130 milhões de trabalhadores celetistas. Desse grupo, 28,5 milhões mantêm operações de antecipação ativas.









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