O Ministério da Saúde deu início, nesta sexta-feira (6), à transição da insulina humana NPH para a insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida representa um avanço histórico no cuidado das pessoas que vivem com diabetes no Brasil e amplia significativamente as opções terapêuticas oferecidas gratuitamente pela rede pública.
Mais moderna, a insulina glargina possui ação prolongada de até 24 horas e é aplicada apenas uma vez ao dia, o que contribui para maior estabilidade glicêmica e facilita a rotina dos pacientes. A transição ocorrerá de forma gradual, sempre baseada na avaliação individual de cada usuário do SUS.
O projeto-piloto será implementado inicialmente nos estados do Amapá, Paraná e Paraíba, além do Distrito Federal. Nesta primeira etapa, serão atendidas crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais diagnosticados com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa do Ministério da Saúde é de que mais de 50 mil pessoas sejam beneficiadas.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa reforça o papel estratégico do SUS no fortalecimento da indústria nacional. Ele destaca que, após duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina em território nacional, garantindo mais segurança, autonomia e continuidade no tratamento dos pacientes.
Para viabilizar a implantação da nova terapia, o Ministério da Saúde está promovendo treinamentos com profissionais da Atenção Primária à Saúde nos territórios selecionados. As capacitações tiveram início em 27 de janeiro e seguem até meados de fevereiro, preparando as equipes para o uso correto das canetas de insulina e a aplicação adequada do medicamento.
O que é a insulina glargina
A glargina é uma insulina análoga de ação prolongada, com efeito contínuo por até 24 horas, indicada para auxiliar no controle dos níveis de glicose no sangue. Por exigir apenas uma aplicação diária, o medicamento reduz oscilações glicêmicas e melhora a adesão ao tratamento. Na rede privada, o custo pode chegar a R$ 250 para dois meses de uso.
Produção nacional e expansão do acesso
A ampliação da insulina glargina no SUS ocorre por meio de uma parceria estratégica entre o Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz, a empresa brasileira Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee. O acordo prevê a transferência de tecnologia para o Brasil, fortalecendo o Complexo Econômico-Industrial da Saúde.
Somente em 2025, mais de 6 milhões de unidades da insulina glargina foram entregues ao SUS, com investimento de R$ 131 milhões. A previsão é que, até o fim de 2026, a capacidade produtiva alcance 36 milhões de tubetes, garantindo o abastecimento nacional.
Após os primeiros meses do projeto-piloto, o Ministério da Saúde fará uma avaliação dos resultados para definir o cronograma de expansão da oferta para os demais estados brasileiros.









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