A advogada Carolina Câmara afirma viver sob constante ameaça mesmo após recorrer à Justiça e obter medidas protetivas com base na Lei Maria da Penha. Segundo ela, o ex-companheiro, Gabriel Bessa Braga, segue descumprindo determinações judiciais, incluindo restrições de aproximação e comunicação.
Desde setembro de 2025, Carolina possui medida protetiva ativa. Ainda assim, relata que o ex continuou tentando contato e frequentando locais próximos à sua residência e trabalho, desrespeitando o limite mínimo de 300 metros e o recolhimento noturno imposto pela Justiça.
Para reforçar a segurança, foi determinado em novembro o uso de tornozeleira eletrônica pelo acusado e a disponibilização do chamado “botão do pânico” à vítima. No entanto, Carolina aponta falhas no sistema desde o início. Em Goiás, onde reside, há apenas cerca de 600 dispositivos disponíveis, o que resultou em uma espera de quase dez dias após a decisão judicial.
Mesmo com o equipamento, a advogada relata episódios recorrentes de aproximação indevida, inclusive durante a madrugada. O alerta, que deveria garantir proteção, passou a gerar medo constante. “Esse botão virou um instrumento de terror”, declarou.
Carolina afirma já ter registrado 13 boletins de ocorrência e acionado o dispositivo cerca de 50 vezes, sem que as medidas fossem efetivamente suficientes para impedir o comportamento do ex-companheiro.
Relacionamento e sinais iniciais
O relacionamento teve início em fevereiro de 2023, após os dois se conhecerem por meio de um aplicativo. Segundo Carolina, o comportamento abusivo não foi imediato, mas evoluiu gradualmente — padrão comum em relações marcadas por violência psicológica.
Ela descreve um processo de isolamento progressivo, no qual amigos e familiares passaram a se afastar, muitas vezes influenciados pela postura do então parceiro.
“Os sinais eram sutis no começo. Quando percebi, as pessoas próximas já estavam se distanciando. Os alertas vieram de fora”, relata.
Falhas estruturais e sensação de insegurança
O caso levanta questionamentos sobre a efetividade das medidas protetivas no Brasil, especialmente no que diz respeito à fiscalização e disponibilidade de recursos tecnológicos.
Mesmo amparada judicialmente, Carolina afirma que a sensação de insegurança permanece constante — evidenciando lacunas na execução das decisões e na proteção real das vítimas.









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