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Canetas emagrecedoras já afetam até o tamanho das roupas no Brasil, diz Riachuelo

por | jun 13, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Os medicamentos à base de GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, ainda estão longe de fazer parte da realidade da maior parte da população brasileira. Mesmo assim, os impactos dessa nova geração de tratamentos já começam a transformar diferentes setores da economia, indo muito além da saúde e da indústria farmacêutica.

O reflexo agora começa a aparecer também no varejo de moda.

Durante um evento promovido pela rede farmacêutica Pague Menos em parceria com o Itaú BBA, realizado nesta terça-feira (9), executivos de grandes empresas relataram mudanças concretas no comportamento dos consumidores associadas ao emagrecimento, à busca por bem-estar e aos novos hábitos de saúde impulsionados pelos medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

Uma das declarações que mais chamou atenção foi a da CMO da Riachuelo, Cathyelle Schroeder. Segundo ela, a empresa já percebe alterações significativas na demanda por modelagens menores em diversas categorias de roupas.

“Hoje já vemos impactos e resultados. Quando olhamos para nosso portfólio, em média 5% da nossa grade caiu. Quando pensamos do PP ao GG, já temos essa diferença. Em grades mais do dia a dia, como camisetas, também reduzimos em média 4% os tamanhos”, afirmou.

A fala evidencia algo que até pouco tempo parecia improvável: medicamentos para perda de peso começando a alterar decisões industriais, estoques e estratégias comerciais de grandes marcas.

EFEITO VAI ALÉM DO EMAGRECIMENTO

Os medicamentos da classe GLP-1 atuam no controle da glicemia e também no centro de saciedade do cérebro, reduzindo o apetite e aumentando a sensação de satisfação alimentar. Inicialmente desenvolvidos para tratamento do diabetes tipo 2, eles passaram a ganhar enorme popularidade após resultados expressivos de perda de peso.

Nos Estados Unidos, gigantes do setor alimentício já relataram preocupação com a redução no consumo de snacks, refrigerantes e alimentos ultraprocessados entre usuários dessas medicações. Analistas de mercado também acompanham possíveis impactos em academias, bebidas alcoólicas, cosméticos, moda e até no setor aéreo.

No Brasil, embora o acesso ainda seja restrito devido ao alto custo — que pode ultrapassar R$ 1 mil a R$ 4 mil mensais dependendo da medicação — os efeitos culturais e comportamentais já começam a ser percebidos.

MUDANÇA DE CONSUMO

Especialistas avaliam que o fenômeno não está ligado apenas ao emagrecimento em si, mas também a uma transformação no comportamento do consumidor moderno, cada vez mais focado em saúde, autocuidado e estética.

A redução nas grades de roupas observada pela Riachuelo pode indicar uma mudança gradual no perfil corporal médio de parte dos consumidores, especialmente entre públicos urbanos de maior renda, que hoje concentram o acesso às chamadas “canetas emagrecedoras”.

A tendência também levanta debates sobre pressão estética, medicalização do emagrecimento e os impactos sociais dessa nova fase da indústria da saúde.

Enquanto isso, o mercado acompanha atento um cenário que pode remodelar hábitos de consumo em escala global nos próximos anos.

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