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Precatórios explodem contas públicas e geram déficit recorde de R$ 73 bilhões

por | abr 30, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

O pagamento antecipado de precatórios — dívidas da União decorrentes de decisões judiciais definitivas — provocou um forte impacto nas contas públicas e levou o governo central a registrar déficit primário de R$ 73,783 bilhões em março, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29).

O resultado é o pior já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1997, evidenciando uma deterioração significativa em relação a março de 2025, quando houve superávit de R$ 1,527 bilhão.

Segundo o Tesouro, o principal fator para o rombo foi a mudança no calendário de pagamento dos precatórios. Em 2026, os desembolsos se concentraram em março, enquanto no ano passado ocorreram majoritariamente em julho.

Explosão de despesas pressiona resultado

O déficit primário ocorre quando as receitas com impostos não são suficientes para cobrir as despesas do governo, desconsiderando os juros da dívida pública.

Em março, os gastos totais atingiram R$ 269,881 bilhões, registrando alta real de 49,2% em relação ao mesmo mês de 2025. Já a receita líquida somou R$ 196,1 bilhões, com crescimento real de 7,5%.

Os maiores aumentos de despesas foram puxados por:

  • Sentenças judiciais e precatórios: R$ 34,903 bilhões
  • Benefícios previdenciários: R$ 28,615 bilhões (R$ 23,982 bilhões em precatórios)
  • Pessoal e encargos sociais: R$ 11,258 bilhões (R$ 8,786 bilhões em precatórios)

De acordo com o Tesouro, os precatórios também influenciaram diretamente os gastos com Previdência e folha de pagamento, ampliando o efeito sobre o orçamento.

Arrecadação cresce, mas não compensa

Apesar da pressão fiscal, a arrecadação apresentou avanço, impulsionada pela atividade econômica e medidas tributárias recentes.

Entre os destaques estão:

  • IOF: +R$ 2,8 bilhões
  • Imposto de Importação: +R$ 2,3 bilhões
  • Imposto de Renda: +R$ 2,3 bilhões
  • CSLL: +R$ 1,4 bilhão
  • Cofins: +R$ 1,5 bilhão

Mesmo com esse desempenho, o crescimento das receitas foi insuficiente para neutralizar o salto expressivo das despesas.

Resultado no ano também piora

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o governo central registra déficit de R$ 17,085 bilhões, revertendo o superávit de R$ 54,993 bilhões observado no mesmo período do ano passado.

Os números refletem:

  • Receita líquida: R$ 626,4 bilhões (+4,2% real)
  • Despesas totais: R$ 643,5 bilhões (+23,3% real)

O impacto dos precatórios também foi determinante nesse resultado. Ainda assim, o saldo negativo foi parcialmente amenizado pelo superávit de R$ 86,9 bilhões registrado em janeiro — mês que tradicionalmente apresenta desempenho positivo nas contas públicas.

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