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Influenciadora reacende debate: pimenta provoca enxaqueca? Especialistas explicam o que diz a ciência

por | maio 5, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Relatos recentes envolvendo a influenciadora Virgínia Fonseca voltaram a levantar uma dúvida comum entre quem convive com enxaqueca: alimentos como a pimenta podem desencadear crises? Apesar da percepção popular, especialistas indicam que a relação não é direta e carece de evidências robustas.

De acordo com a anestesiologista e especialista em medicina da dor Inácia Simões, da Saint Moritz, a literatura médica não aponta a pimenta como um gatilho frequente. “Não há evidência científica robusta de que pimenta agrave a enxaqueca. Embora muitos pacientes relatem gatilhos alimentares, a pimenta não está entre os mais associados às crises”, afirma.

A especialista ressalta que a relação entre alimentação e enxaqueca é complexa e frequentemente superestimada. Estudos indicam que a percepção dos pacientes sobre gatilhos alimentares tem baixo valor preditivo quando comparada a fatores cientificamente comprovados, o que pode levar a associações equivocadas.

Entre os alimentos mais investigados como possíveis desencadeadores estão bebidas alcoólicas — especialmente vinho tinto e cerveja — além de chocolate, cafeína, queijos envelhecidos, conservantes com nitratos e nitritos, glutamato monossódico e adoçantes artificiais. A pimenta, no entanto, não aparece de forma consistente nesses levantamentos.

Do ponto de vista biológico, a capsaicina — substância responsável pela ardência — pode ativar receptores ligados à dor em ambientes experimentais. Ainda assim, segundo Simões, não há comprovação clínica de que o consumo alimentar seja capaz de desencadear crises.

A recomendação médica é evitar generalizações. Caso o paciente identifique uma possível relação entre determinado alimento e a dor, a orientação é buscar avaliação individualizada e, se necessário, realizar dieta de exclusão com acompanhamento profissional.

O tema reforça a importância de abordagens baseadas em evidências e do acompanhamento médico adequado para o controle da enxaqueca, evitando restrições alimentares desnecessárias.


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