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Parasita “imitador de câncer” avança na América do Norte e acende alerta sanitário

por | jun 14, 2026 | NOTÍCIAS, SAÚDE, SLIDER | 0 Comentários

Um parasita considerado extremamente raro na América do Norte até pouco mais de uma década atrás está chamando atenção de pesquisadores após avançar para a costa oeste dos Estados Unidos. O agente é o Echinococcus multilocularis, um verme cestoide capaz de provocar uma das zoonoses mais perigosas conhecidas: a equinococose alveolar.

A doença preocupa porque seu comportamento dentro do organismo humano lembra um câncer agressivo. Após a infecção, o parasita forma cistos no fígado que crescem de maneira infiltrativa, podendo atingir pulmões e cérebro. Em exames de imagem, as lesões muitas vezes se confundem com tumores hepáticos malignos.

O alerta ganhou força após um estudo liderado pela University of Washington identificar o parasita em 37 dos 100 coiotes analisados na região de Puget Sound, no estado de Washington. A descoberta representa a primeira detecção do Echinococcus multilocularis em hospedeiros silvestres na costa oeste contígua dos EUA. O trabalho foi publicado em março de 2026 na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases.

Os pesquisadores afirmam que o avanço do parasita vem sendo observado desde os anos 2010, inicialmente no Canadá e no centro-oeste norte-americano. Agora, a chegada ao Pacífico Norte aumenta a preocupação devido à intensa convivência entre vida silvestre, cães domésticos e áreas urbanas.

Como ocorre a transmissão

O ciclo do parasita envolve principalmente canídeos, como coiotes, raposas e cães domésticos. Esses animais eliminam ovos microscópicos do verme nas fezes. Humanos podem ser contaminados ao ingerir alimentos, água, solo ou superfícies contaminadas.

O problema é que a infecção pode permanecer silenciosa por muitos anos. Segundo especialistas, o intervalo entre exposição e surgimento dos sintomas pode chegar a 15 anos. Quando aparecem, os sinais costumam incluir:

  • dor abdominal;
  • perda de peso;
  • fadiga intensa;
  • icterícia;
  • aumento do fígado.

Em estágios avançados, a doença pode atingir outros órgãos e apresentar comportamento semelhante ao de metástases cancerígenas.

Mortalidade elevada preocupa cientistas

A equinococose alveolar é considerada uma das parasitoses mais letais do mundo. Sem tratamento adequado, a taxa de mortalidade pode chegar a 90% em dez anos.

O tratamento normalmente envolve cirurgia para retirada dos cistos quando possível, além do uso prolongado de antiparasitários, especialmente o Albendazole. Em muitos casos, o paciente precisa permanecer medicado por anos para impedir a progressão da doença.

O Brasil corre risco?

Atualmente, o Brasil não registra circulação do Echinococcus multilocularis. Porém, o país possui outros representantes do mesmo gênero, especialmente o Echinococcus granulosus, associado principalmente à criação de ovinos na região Sul.

Especialistas destacam que o caso norte-americano reforça a importância da vigilância epidemiológica, monitoramento da fauna silvestre e cuidados sanitários envolvendo animais domésticos.

O estudo também acende um alerta global sobre doenças zoonóticas emergentes impulsionadas pela urbanização, expansão territorial de animais silvestres e mudanças ambientais.

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