Um investimento de US$ 250 mil virou um dos maiores pesadelos financeiros da história da aviação comercial. Em 1987, o banqueiro americano Steven Rothstein adquiriu um passe vitalício de primeira classe da American Airlines e transformou o benefício em uma verdadeira “farra aérea” que teria causado prejuízo estimado em mais de US$ 21 milhões à companhia.
O programa, chamado AAirpass, foi criado nos anos 1980 como uma estratégia da empresa para levantar capital em meio a dificuldades financeiras. A proposta parecia ousada: permitir que clientes viajassem de forma ilimitada em primeira classe pelo resto da vida após o pagamento de uma taxa única.
Na época, a empresa acreditava que poucos usuários utilizariam o benefício de maneira intensa. Steven Rothstein, no entanto, enxergou no passe uma oportunidade única.
Além do bilhete vitalício de primeira classe, ele também adquiriu um passe complementar que permitia levar acompanhantes em praticamente qualquer voo. O resultado foi um comportamento que rapidamente virou lenda dentro da companhia aérea.
Durante mais de 20 anos, Rothstein realizou mais de 10 mil voos. Segundo relatos divulgados pela imprensa internacional, ele utilizava aviões como se fossem táxis particulares. O banqueiro fazia viagens internacionais apenas para almoçar em cidades europeias, participar de compromissos rápidos ou simplesmente aproveitar o conforto da primeira classe.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque Rothstein frequentemente oferecia assentos de acompanhante para desconhecidos encontrados nos aeroportos. Funcionários da companhia chegaram a relatar situações em que ele embarcava pessoas aleatórias para viagens internacionais luxuosas.
Com o passar dos anos, a conta começou a pesar. Estimativas apontam que o executivo gerava prejuízos milionários anuais à empresa, principalmente por ocupar assentos premium em rotas internacionais extremamente caras.
A situação levou a American Airlines a criar uma equipe específica para investigar usuários considerados “custosos demais” para o programa. Foi então que surgiram acusações de uso indevido do passe.
A companhia alegou que Rothstein utilizava reservas falsas para manter assentos vazios ao seu lado e fazia uso irregular dos bilhetes de acompanhante. Em dezembro de 2008, enquanto realizava check-in para um voo internacional, ele recebeu uma carta informando o cancelamento imediato do benefício por suposta fraude.
O banqueiro processou a empresa alegando quebra contratual e afirmando que a companhia havia permitido suas práticas durante décadas sem qualquer impedimento. O processo acabou sendo encerrado posteriormente após um acordo extrajudicial.
O episódio se tornou um dos casos mais emblemáticos da história da aviação comercial e até hoje é lembrado como um dos maiores erros estratégicos já cometidos por uma companhia aérea. O programa AAirpass acabou sendo encerrado para novos clientes após os prejuízos milionários causados pelos usuários mais frequentes.









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