A velha conhecida dos tratamentos antiparasitários agora passou a chamar atenção também dentro da oncologia. A ivermectina, medicamento amplamente utilizado contra vermes e parasitas, vem sendo alvo de pesquisas científicas internacionais que investigam um possível efeito contra diferentes tipos de câncer.
Os estudos ainda estão em fase inicial e não há comprovação clínica de eficácia em humanos. Mesmo assim, os resultados laboratoriais começaram a despertar interesse da comunidade científica por apresentarem sinais considerados promissores em alguns modelos experimentais.
Pesquisadores classificam a ivermectina como uma potencial estratégia de “reposicionamento de fármacos”, quando um medicamento já existente passa a ser estudado para novas finalidades terapêuticas.
O que os estudos estão investigando
Nas pesquisas realizadas em laboratório e em modelos animais, a ivermectina demonstrou capacidade de interferir em mecanismos ligados ao crescimento tumoral. Entre os efeitos observados estão:
- redução da multiplicação de células cancerígenas;
- estímulo à apoptose, conhecida como morte programada das células tumorais;
- bloqueio de vias moleculares relacionadas à progressão do câncer;
- possível fortalecimento da resposta imunológica contra tumores.
Os estudos experimentais envolveram diferentes tipos de câncer, incluindo:
- câncer de mama triplo negativo;
- câncer de pulmão;
- glioblastoma;
- câncer colorretal;
- leucemias;
- câncer de ovário.
Especialistas destacam, porém, que resultados positivos em laboratório não significam automaticamente eficácia em pacientes.
Testes em humanos ainda são limitados
Um dos estudos mais acompanhados atualmente envolve pacientes com câncer de mama triplo negativo metastático. A pesquisa avalia a combinação da ivermectina com imunoterapia em um ensaio clínico de fase I/II.
Até agora, o objetivo principal do estudo é analisar segurança, tolerância e dosagem adequada. Os pesquisadores ainda não possuem evidências robustas de benefício clínico.
Instituições ligadas ao câncer nos Estados Unidos também acompanham o tema e investigam os mecanismos biológicos da substância no ambiente tumoral.
Comunidade científica faz alerta
Apesar da repercussão nas redes sociais, oncologistas reforçam que a ivermectina não é aprovada para tratamento do câncer e não integra protocolos oficiais de oncologia.
Os especialistas alertam que o uso indiscriminado pode trazer riscos importantes, como:
- interação com quimioterapia;
- toxicidade neurológica em altas doses;
- abandono de tratamentos comprovados;
- atraso no diagnóstico e acompanhamento médico adequado.
A orientação atual é de que qualquer uso da ivermectina em oncologia ocorra exclusivamente dentro de estudos clínicos controlados.
O que dizem os pesquisadores
Os cientistas afirmam que o potencial da ivermectina ainda precisa passar por etapas rigorosas de validação antes de qualquer conclusão definitiva.
Na prática, isso significa que:
- os resultados mais positivos ainda estão restritos ao laboratório;
- faltam estudos amplos em humanos;
- não existe comprovação de cura de câncer com ivermectina;
- o medicamento segue sendo considerado experimental para oncologia.
Mesmo assim, o avanço das pesquisas mostra como medicamentos antigos continuam sendo reavaliados pela ciência em busca de novas aplicações terapêuticas.









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