Produto feito com fibras de banana, açaí e resíduos agrícolas é sustentável, barato e pode ampliar o acesso à higiene menstrual.
Duas estudantes brasileiras desenvolveram um absorvente biodegradável de baixo custo capaz de ajudar no combate à pobreza menstrual. Criado por Camily dos Santos e Laura Drebes, o produto utiliza fibras de banana, açaí e resíduos agrícolas, e pode custar cerca de R$ 0,02 por unidade, valor muito inferior ao dos absorventes convencionais.
O projeto foi desenvolvido enquanto as jovens estudavam no Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Osório, durante uma pesquisa científica que durou cerca de nove meses. A iniciativa surgiu após as estudantes identificarem a dificuldade de acesso a produtos de higiene menstrual por parte de muitas mulheres e adolescentes.
O absorvente, chamado SustainPads, possui uma estrutura composta por três camadas: uma camada superior absorvente, uma camada intermediária formada por fibras vegetais e uma camada inferior impermeável produzida a partir de biofilme biodegradável.
Segundo as pesquisadoras, as fibras extraídas do pseudocaule da bananeira e do açaí possuem alta capacidade de absorção, podendo apresentar desempenho até 17% superior ao de alguns absorventes tradicionais.
Além do custo reduzido, o projeto também chama atenção pelo impacto ambiental positivo. Enquanto absorventes comuns podem levar centenas de anos para se decompor, o produto desenvolvido pelas estudantes pode se degradar em poucas semanas, reduzindo significativamente a geração de resíduos.
Outro diferencial é o uso de matérias-primas provenientes de resíduos da agroindústria, o que permite aproveitar materiais que normalmente seriam descartados.
A proposta das jovens pesquisadoras é que o produto possa ser produzido em cooperativas ou projetos sociais, facilitando a distribuição para comunidades em situação de vulnerabilidade.
A iniciativa ganhou destaque em feiras científicas e eventos acadêmicos, sendo apontada como uma solução que une inovação, sustentabilidade e impacto social, ao enfrentar um problema que ainda afeta milhões de meninas e mulheres no Brasil e no mundo.









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