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Cacau despenca quase 6% e atinge mínima histórica em Nova York

por | mar 3, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

O mercado internacional de commodities agrícolas encerrou a sessão desta sexta-feira (27) com forte volatilidade e predominância de quedas nas principais bolsas globais. O destaque ficou para o cacau, que registrou recuo expressivo na bolsa de Nova York, refletindo o cenário de excedente de oferta e desaceleração na comercialização entre países produtores.

O contrato futuro com entrega para maio fechou o dia com baixa de 5,71%, cotado a US$ 2.895 por tonelada. De acordo com dados do Barchart, o vencimento de maio atingiu a mínima histórica na bolsa norte-americana, enquanto o contrato de março negociado em Londres recuou ao menor patamar dos últimos dois anos.

Demanda enfraquecida pressiona o cacau

Segundo análise do Price Futures Group, o mercado já precifica um enfraquecimento da demanda, consequência direta dos preços elevados registrados ao longo do ano passado. A retração no consumo tende a persistir nos próximos meses, segundo a consultoria.

O impacto imediato tem sido o aumento dos estoques não vendidos em dois dos maiores produtores globais: Costa do Marfim e Gana. Além disso, a perspectiva de um novo superávit global na safra 2026/27 é considerada concreta pela instituição, ampliando a pressão sobre os contratos futuros.

Apesar do cenário de oferta mais confortável, a Hedgepoint Global Markets pondera que os estoques ainda permanecem abaixo da média histórica, fator que sustenta um ambiente de elevada volatilidade e incerteza estrutural no mercado.

Café recua diante de projeção de safra recorde

O café arábica também encerrou a sessão em baixa na bolsa de Nova York. O contrato para maio registrou recuo de 0,55%, sendo negociado a US$ 2,8075 por libra-peso.

Segundo o Barchart, o mercado segue pressionado pela perspectiva de maior produção global. O Rabobank informou nesta semana que a produção mundial deverá alcançar 180 milhões de sacas na safra 2026/27 — um aumento aproximado de 8 milhões de sacas em relação ao ciclo anterior.

Os preços do arábica acumulam forte desvalorização no último mês, atingindo mínima em 15 meses na sessão da última terça-feira (24). Já o robusta recuou ao menor nível em seis meses, impulsionado por sinais de safra recorde no Brasil, o que melhora as projeções de oferta global.

Suco de laranja e açúcar também operam em baixa

No mercado do suco de laranja concentrado congelado, os preços futuros registraram desvalorização. O contrato com vencimento para maio fechou cotado a US$ 1.815,00 por tonelada, queda de 2,73%.

Já o açúcar apresentou recuo mais moderado. O vencimento maio encerrou o dia negociado a 13,89 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 0,43%.

De acordo com o analista Jack Scoville, do Price Futures Group, o mercado opera sob pressão diante da ampla oferta global e das condições favoráveis para o cultivo de cana-de-açúcar e beterraba em diversas regiões produtoras.

A expectativa de um grande excedente global na safra 2025/26 mantém o mercado defensivo. O aumento da produção na Índia e na Tailândia deve elevar a oferta internacional, especialmente de açúcar branco, enquanto o consumo global tende a permanecer estável.

Algodão avança na contramão

Diferentemente das demais soft commodities, o algodão registrou alta pelo terceiro pregão consecutivo na bolsa de Nova York. O contrato com entrega para maio subiu 0,38%, cotado a 65,61 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo informações do Trading View, o mercado reagiu aos dados de vendas para exportação divulgados na quinta-feira (26), que apontaram embarques de 8,75 milhões de unidades no período. O volume representa queda de 9% em relação ao ano anterior.

Até o momento, o total já comercializado corresponde a 78% da projeção anual de exportações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), percentual abaixo da média histórica de 91%, o que mantém o mercado atento ao ritmo da demanda externa.

Cenário aponta ajuste estrutural

O conjunto de dados reforça um momento de ajuste estrutural no mercado global de commodities agrícolas. Após ciclos de forte valorização impulsionados por restrições de oferta e eventos climáticos adversos, o ambiente atual sinaliza recomposição produtiva, aumento de estoques e demanda mais cautelosa.

Ainda assim, a volatilidade permanece elevada, especialmente em mercados como o do cacau, onde os estoques globais continuam abaixo da média histórica. O equilíbrio entre oferta crescente e consumo moderado será determinante para a trajetória dos preços nos próximos meses.

O cenário segue em monitoramento constante por produtores, tradings, indústrias processadoras e investidores, diante de um mercado cada vez mais sensível a projeções climáticas, dados de exportação e revisões de safra.

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