Mirassol, no interior de São Paulo, tornou-se a cidade-piloto da vacinação contra a chikungunya no Brasil. A aplicação do imunizante começou no início de fevereiro e marca um momento histórico: é a primeira vacina do mundo contra a doença, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa franco-austríaca Valneva.
A iniciativa envolve o Governo de São Paulo, o Ministério da Saúde e secretarias municipais, com implementação estratégica em dez municípios selecionados. A vacina foi aprovada pela Anvisa em abril de 2025 e já havia recebido aval da FDA, dos Estados Unidos, e da European Medicines Agency, da União Europeia.
Quem pode se vacinar
O imunizante é indicado para pessoas com 18 anos ou mais que estejam em risco aumentado de exposição ao vírus chikungunya. A aplicação é contraindicada para gestantes, imunodeficientes ou imunossuprimidos.
Eficácia comprovada
Estudo realizado nos Estados Unidos com 4 mil voluntários apontou que 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos contra o vírus, com níveis mantidos por pelo menos seis meses. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet.
No Brasil, ensaio clínico de fase 3 com adolescentes mostrou presença de anticorpos neutralizantes em 100% dos voluntários com infecção prévia e em 98,8% daqueles sem contato anterior com o vírus. Após seis meses, a proteção permaneceu em 99,1%, segundo dados divulgados na The Lancet Infectious Diseases.
Os eventos adversos mais relatados foram dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre, geralmente leves ou moderados.
Como funciona
A vacina é de vírus vivo atenuado, ou seja, utiliza o vírus enfraquecido para estimular o sistema imunológico sem causar a doença. A fabricação inicial ocorre na Alemanha, pela IDT Biologika GmbH, com previsão de produção futura no Brasil.
Importância da imunização
Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a chikungunya provoca febre alta e dores intensas nas articulações, que podem se tornar crônicas e comprometer a qualidade de vida. Em 2024, o Brasil registrou 254.651 casos prováveis até o fim de agosto, alta de 45,5% em relação ao mesmo período de 2023.
Ainda não há previsão de disponibilidade ampla da vacina para toda a população.









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