Um pequeno implante hormonal inserido sob a pele, conhecido popularmente como “pellet” ou “chip da beleza”, virou tendência em consultórios e redes sociais nos últimos anos. Prometido como solução para sintomas da menopausa, ovários policísticos, baixa libido, fadiga e até emagrecimento, o dispositivo agora está no centro de investigações e alertas de entidades médicas no Brasil.
O motivo é preocupante: muitas mulheres estão recebendo hormônios anabolizantes, como testosterona, oxandrolona e gestrinona, substâncias associadas ao ganho de massa muscular e efeitos estéticos, mas sem comprovação científica reconhecida para tratar diversas doenças anunciadas nas propagandas.
Segundo especialistas e entidades médicas, o uso desses implantes com finalidade estética é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, os riscos à saúde podem ser graves, incluindo trombose, infarto, AVC, alterações hormonais permanentes e até morte.
Como funciona o pellet?
O pellet é um pequeno cilindro implantado sob a pele, geralmente na região do glúteo ou abdômen, liberando hormônios gradualmente no organismo por vários meses.
Nas redes sociais, médicos influenciadores promovem o procedimento como uma espécie de solução rápida para melhorar disposição, libido, emagrecimento e aparência física. O problema é que muitas pacientes não recebem informações completas sobre os riscos envolvidos nem sobre as substâncias utilizadas.
Entidades médicas afirmam que, em muitos casos, o procedimento vem sendo banalizado e comercializado de forma agressiva, sem respaldo científico suficiente.
Uso estético gera alerta
A preocupação aumentou após denúncias envolvendo farmácias de manipulação e médicos ligados à comercialização dos implantes.
Documentos apontam que parte dessas farmácias estaria produzindo pellets em larga escala, prática considerada irregular para medicamentos manipulados, que deveriam ser feitos individualmente e sob prescrição específica.
Além disso, investigações apontam para um esquema altamente lucrativo. O implante pode custar cerca de R$ 200 para ser produzido, mas é vendido por valores entre R$ 4 mil e R$ 12 mil às pacientes.
Segundo denúncias apuradas por autoridades, alguns médicos mantêm relação direta com farmácias de manipulação, indicando os produtos e treinando outros profissionais para ampliar o uso do procedimento.
Riscos podem ser irreversíveis
Mulheres que utilizaram os implantes relatam complicações sérias de saúde e mudanças físicas permanentes.
Entre os efeitos adversos apontados estão:
- queda de cabelo;
- acne intensa;
- alterações na voz;
- aumento excessivo de pelos;
- alterações menstruais;
- problemas cardiovasculares;
- trombose;
- infarto;
- AVC;
- desequilíbrios hormonais severos.
Especialistas alertam que muitos desses efeitos podem não regredir mesmo após a suspensão do tratamento.
Caso é investigado
O caso já está sendo investigado pelo Ministério Público Federal e por Ministérios Públicos estaduais. Conselhos de medicina e entidades científicas também acompanham a situação e reforçam a necessidade de fiscalização rigorosa.
A discussão reacende o debate sobre os limites entre medicina, estética e influência digital, principalmente diante da popularização de tratamentos hormonais vendidos como solução milagrosa para sintomas diversos.
Especialistas recomendam que pacientes busquem informações detalhadas antes de realizar qualquer implante hormonal e desconfiem de promessas rápidas de emagrecimento, rejuvenescimento ou melhora estética sem comprovação científica.









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