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“Chip da beleza” entra na mira do MP e especialistas alertam para riscos graves à saúde

por | maio 15, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Um pequeno implante hormonal inserido sob a pele, conhecido popularmente como “pellet” ou “chip da beleza”, virou tendência em consultórios e redes sociais nos últimos anos. Prometido como solução para sintomas da menopausa, ovários policísticos, baixa libido, fadiga e até emagrecimento, o dispositivo agora está no centro de investigações e alertas de entidades médicas no Brasil.

O motivo é preocupante: muitas mulheres estão recebendo hormônios anabolizantes, como testosterona, oxandrolona e gestrinona, substâncias associadas ao ganho de massa muscular e efeitos estéticos, mas sem comprovação científica reconhecida para tratar diversas doenças anunciadas nas propagandas.

Segundo especialistas e entidades médicas, o uso desses implantes com finalidade estética é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, os riscos à saúde podem ser graves, incluindo trombose, infarto, AVC, alterações hormonais permanentes e até morte.

Como funciona o pellet?

O pellet é um pequeno cilindro implantado sob a pele, geralmente na região do glúteo ou abdômen, liberando hormônios gradualmente no organismo por vários meses.

Nas redes sociais, médicos influenciadores promovem o procedimento como uma espécie de solução rápida para melhorar disposição, libido, emagrecimento e aparência física. O problema é que muitas pacientes não recebem informações completas sobre os riscos envolvidos nem sobre as substâncias utilizadas.

Entidades médicas afirmam que, em muitos casos, o procedimento vem sendo banalizado e comercializado de forma agressiva, sem respaldo científico suficiente.

Uso estético gera alerta

A preocupação aumentou após denúncias envolvendo farmácias de manipulação e médicos ligados à comercialização dos implantes.

Documentos apontam que parte dessas farmácias estaria produzindo pellets em larga escala, prática considerada irregular para medicamentos manipulados, que deveriam ser feitos individualmente e sob prescrição específica.

Além disso, investigações apontam para um esquema altamente lucrativo. O implante pode custar cerca de R$ 200 para ser produzido, mas é vendido por valores entre R$ 4 mil e R$ 12 mil às pacientes.

Segundo denúncias apuradas por autoridades, alguns médicos mantêm relação direta com farmácias de manipulação, indicando os produtos e treinando outros profissionais para ampliar o uso do procedimento.

Riscos podem ser irreversíveis

Mulheres que utilizaram os implantes relatam complicações sérias de saúde e mudanças físicas permanentes.

Entre os efeitos adversos apontados estão:

  • queda de cabelo;
  • acne intensa;
  • alterações na voz;
  • aumento excessivo de pelos;
  • alterações menstruais;
  • problemas cardiovasculares;
  • trombose;
  • infarto;
  • AVC;
  • desequilíbrios hormonais severos.

Especialistas alertam que muitos desses efeitos podem não regredir mesmo após a suspensão do tratamento.

Caso é investigado

O caso já está sendo investigado pelo Ministério Público Federal e por Ministérios Públicos estaduais. Conselhos de medicina e entidades científicas também acompanham a situação e reforçam a necessidade de fiscalização rigorosa.

A discussão reacende o debate sobre os limites entre medicina, estética e influência digital, principalmente diante da popularização de tratamentos hormonais vendidos como solução milagrosa para sintomas diversos.

Especialistas recomendam que pacientes busquem informações detalhadas antes de realizar qualquer implante hormonal e desconfiem de promessas rápidas de emagrecimento, rejuvenescimento ou melhora estética sem comprovação científica.

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