A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação do medicamento Sunlenca (lenacapavir) para prevenção do HIV-1 com um regime de aplicação semestral. A decisão marca um avanço na estratégia de profilaxia pré-exposição (PrEP) ao incorporar uma alternativa de longa duração, com potencial para reduzir barreiras de adesão e ampliar a proteção em populações sob maior risco.
O que muda na prática
Com a aprovação, o lenacapavir entra no radar como uma PrEP de duas doses por ano, por injeção subcutânea, ampliando o portfólio de prevenção. A Anvisa informa que a indicação é válida a partir de 12 anos para pessoas sob risco de contrair o HIV-1.
Na avaliação regulatória, um dos principais ganhos esperados é a simplificação do regime, com impacto direto na continuidade do cuidado — um desafio recorrente em estratégias preventivas que dependem de uso diário ou de visitas frequentes aos serviços de saúde.
O que a ciência mostrou
Segundo a Anvisa, os estudos clínicos apresentados apontaram resultados robustos:
- PURPOSE 1: 100% de eficácia na redução da incidência de HIV-1 em mulheres cisgênero.
- PURPOSE 2: 96% de eficácia versus incidência de base e superioridade em relação à PrEP oral diária.
Os dados do PURPOSE 2 também foram publicados em periódico médico de referência, reforçando o lastro científico por trás do regime semestral.
Por que isso é tratado como “virada” na prevenção
Especialistas em saúde pública têm destacado que opções de longa ação podem ajudar a enfrentar obstáculos como esquecimento, estigma e descontinuidade do acompanhamento. Após a aprovação nos EUA, o CDC passou a publicar recomendação clínica para o uso do lenacapavir injetável como PrEP, apontando o regime semestral como uma alternativa relevante dentro da prevenção combinada.
E no SUS: quando chega e como será o acesso?
A aprovação regulatória autoriza o uso no país, mas não significa incorporação automática ao SUS. Para chegar de forma ampla na rede pública, costuma ser necessário avançar em etapas de avaliação e decisão de incorporação e financiamento.
Em paralelo, a pauta já se conecta a iniciativas de pesquisa e implementação: a Fiocruz anunciou condução de estudo com o lenacapavir em cidades brasileiras, sinalizando a movimentação do ecossistema nacional para avaliar estratégias de oferta e adesão em cenário real.
Contexto
Nos últimos anos, a prevenção do HIV evoluiu de um modelo centrado em uma única abordagem para um “menu” de estratégias: PrEP oral, prevenção combinada e, agora, tecnologias de longa ação. A entrada de uma opção semestral reforça a tendência internacional de reduzir frequência de administração sem abrir mão de eficácia, conectando ciência de ponta com impacto potencial na vida cotidiana.
Em resumo: a aprovação do lenacapavir pela Anvisa consolida um passo relevante da biotecnologia aplicada à saúde pública — menos doses, mais conveniência e uma nova possibilidade para ampliar cobertura preventiva no Brasil.









0 comentários