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Consumo excessivo de carne vermelha pode aumentar risco de diabetes tipo 2, apontam estudos internacionais

por | maio 11, 2026 | NOTÍCIAS, SAÚDE, SLIDER | 0 Comentários

Na contramão de dietas que exaltam o consumo elevado de proteína animal, como a chamada “dieta carnívora”, pesquisas recentes têm reforçado os impactos negativos do excesso de carne vermelha e carnes processadas na saúde. Além da já conhecida relação com doenças cardiovasculares, novos estudos apontam uma associação importante entre esse hábito alimentar e o aumento do risco de diabetes tipo 2.

Um dos trabalhos mais recentes foi publicado em fevereiro deste ano no periódico científico British Journal of Nutrition. O estudo foi conduzido pela Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia e analisou dados alimentares de 34.737 adultos participantes do NHANES (National Health and Nutrition Examination Survey), levantamento que monitora o estado nutricional da população dos Estados Unidos.

Os pesquisadores identificaram que pessoas com alto consumo de carne vermelha e carnes processadas — como bacon, salsicha, presunto, salame e hambúrguer industrializado — apresentavam maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2. Em contrapartida, o consumo frequente de proteínas vegetais, especialmente leguminosas como feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico, esteve associado à redução do risco da doença metabólica.

O diabetes tipo 2 é caracterizado pela resistência à insulina e pelo aumento da glicose no sangue, condição que pode desencadear complicações cardiovasculares, renais, neurológicas e o comprometimento da visão.

Outro estudo, publicado em 2023 no The American Journal of Clinical Nutrition, também encontrou associação semelhante entre o consumo excessivo de carne vermelha e o aumento do risco de diabetes. No entanto, especialistas alertam que os estudos são observacionais e não comprovam uma relação direta de causa e efeito.

Segundo o endocrinologista Carlos Minanni, do Hospital Israelita Albert Einstein, cerca de metade dessa associação pode estar ligada ao excesso de peso corporal.

“O problema pode não ser apenas a carne vermelha em si, mas o fato de o consumo exagerado contribuir para um balanço calórico positivo, favorecendo sobrepeso e obesidade”, explica.

Gordura saturada e inflamação entram na equação

Especialistas apontam que o excesso de gordura saturada presente na carne vermelha pode interferir diretamente na ação da insulina.

“O excesso dessa gordura dificulta a entrada da glicose nas células, comprometendo o metabolismo”, detalha Minanni.

Além disso, há evidências de que dietas ricas em gordura saturada ativem processos inflamatórios crônicos no organismo, prejudicando tanto a sensibilidade à insulina quanto o funcionamento das células do pâncreas responsáveis pela produção do hormônio.

No caso das carnes processadas, os riscos podem ser ainda maiores devido à presença de nitritos, conservantes e outros aditivos químicos. A nutricionista Maristela Strufaldi, da Sociedade Brasileira de Diabetes, alerta para os impactos negativos desses ingredientes na microbiota intestinal.

Pesquisas recentes mostram que o desequilíbrio das bactérias intestinais — conhecido como disbiose — pode aumentar a permeabilidade do intestino e estimular inflamações que favorecem a resistência à insulina.

Entre os alimentos classificados como carnes processadas estão salsicha, linguiça, bacon, salame, mortadela, presunto e até peito de peru industrializado.

Feijão, legumes e atividade física aparecem como aliados

Se o excesso de carnes pode representar um fator de risco, diversos alimentos são apontados pela ciência como protetores contra o diabetes tipo 2.

As leguminosas lideram essa lista. Feijões, lentilhas, ervilhas, favas e grão-de-bico fornecem proteínas de qualidade e grandes quantidades de fibras, combinação que ajuda no equilíbrio da microbiota intestinal e no controle da glicemia.

“A recomendação é variar o consumo dessas fontes vegetais ao longo da semana e incorporá-las em diferentes preparações”, orienta Strufaldi.

Além das leguminosas, especialistas destacam os benefícios de frutas, verduras, sementes, cereais integrais e pescados.

Outro fator essencial na prevenção do diabetes é a prática regular de atividade física. Exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida e natação, aliados ao treino de força, ajudam a aumentar a sensibilidade à insulina.

“O músculo é um dos principais consumidores de glicose do corpo. Quanto maior e mais preservada a massa magra, melhor tende a ser o controle glicêmico”, reforça Minanni.

Dormir bem, manter o peso corporal adequado e reduzir alimentos ultraprocessados também estão entre as principais recomendações médicas para diminuir o risco da doença.

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