Uma ideia que surgiu na periferia de Campo Grande está mudando a realidade de dezenas de mulheres e redesenhando o mercado da costura no Brasil. A República das Arteiras, criada em 2018, evoluiu de um coletivo para uma fashion tech que conecta costureiras a clientes de forma direta, simples e sem intermediários.
Fundada por Ivani Marques da Costa Grance, a iniciativa nasceu em um cenário de vulnerabilidade social, na região sul da Capital, e enfrentou desafios estruturais desde o início. “Não basta ter uma boa ideia, você tem que ter recurso”, destaca a empreendedora.
O ponto de virada veio durante a pandemia, com o apoio do Programa Centelha 1. A iniciativa possibilitou a transformação do modelo presencial para uma plataforma digital. “Eu perdi todo o chão de fábrica. Voltei para casa com minhas coisas e uma ideia na cabeça”, relembra Ivani.
Hoje, a plataforma funciona como uma vitrine virtual, permitindo que clientes encontrem profissionais por localização e especialidade, negociando diretamente valores e prazos. O impacto já alcança mais de 170 costureiras, ampliando visibilidade e oportunidades de renda.
Além da conexão entre profissionais e consumidores, a República das Arteiras também investe na capacitação e fortalecimento das participantes, promovendo formação técnica e incentivo ao empreendedorismo.
Para a costureira Sandra Lopes, integrante do coletivo, a iniciativa vai além da geração de renda. “Nosso trabalho é muitas vezes solitário e invisível. A conexão entre nós faz toda a diferença”, afirma.
Centelha 3 abre novas oportunidades
A trajetória da República das Arteiras reforça o papel do Programa Centelha no incentivo à inovação. A terceira edição será lançada no dia 27 de março, com foco em ideias em fase inicial.
Em Mato Grosso do Sul, o programa prevê investimento de R$ 6,5 milhões, com seleção de até 47 projetos. Cada proposta poderá receber até R$ 89,6 mil, além de bolsas de até R$ 50 mil.
As inscrições seguem abertas até 11 de maio de 2026, voltadas a pessoas físicas com ideias inovadoras e empresas nascentes. A meta é alcançar mil projetos inscritos.









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