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Doritos “proteico”: avanço real ou só marketing?

por | fev 25, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

A Doritos, marca da PepsiCo, anunciou uma versão com proteína adicionada. O novo chip entrega 10 g de proteína e 150 kcal por porção de 28 g — um salto expressivo em relação ao Doritos tradicional, que possui cerca de 1 a 2 g de proteína.

O diferencial está na adição de proteína derivada do leite, estratégia que eleva o teor proteico sem alterar de forma significativa sabor e textura, dois pilares comerciais da categoria.

O que muda no perfil nutricional

Apesar do aumento proteico, o produto mantém características típicas de snacks industrializados:

  • Aproximadamente 8 g de gordura
  • Cerca de 8 g de carboidratos
  • Classificação como ultraprocessado
  • Baixa saciedade quando comparado a fontes proteicas in natura

Especialistas apontam que o aumento de proteína melhora o perfil nutricional, mas não transforma o salgadinho em alimento funcional.

O que diz a ciência

Estudos indicam que dietas com maior densidade proteica favorecem saciedade e controle do peso corporal. No entanto, evidências também mostram que alimentos ultraprocessados estão associados a maior ingestão calórica e pior qualidade nutricional, mesmo quando recebem fortificação.

Pesquisas como as conduzidas por Kevin Hall, publicadas na Cell Metabolism (2019), demonstram que dietas baseadas em ultraprocessados aumentam o consumo calórico. Já estudos liderados por Carlos Monteiro, divulgados no BMJ (2018), relacionam ultraprocessados a pior qualidade alimentar.

Avanço ou reposicionamento?

O lançamento acompanha a tendência global de produtos “high protein”, impulsionada pelo mercado fitness. No entanto, nutricionistas reforçam que proteína isolada não substitui a matriz alimentar completa, que inclui fibras, micronutrientes e menor grau de processamento.

A nova proposta da Doritos representa um ajuste estratégico ao comportamento do consumidor, mas não altera a natureza do produto: continua sendo um snack ultraprocessado.

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