Está aberta no Museu da Imagem e do Som (MIS), em Campo Grande, a exposição “O Grito que Ecoa”, que aborda o feminicídio e as múltiplas violências direcionadas aos corpos femininos. A mostra reúne obras de 14 mulheres artistas — Bejona, Marcia Lobo Crochê, Vitória Lorrayne, SYUNOI, Veryruim, Letícia Maidana, Terrorzinho, Kami, Sabrina Lima, Thalya Veron e Maíra Espíndola — com curadoria de Sara Welter (Syunoi).
Articulando pintura, arte têxtil, objetos, instalação, performance, música e poesia, a exposição propõe transformar experiências de silenciamento e apagamento em presença, linguagem e ocupação simbólica do espaço institucional.
Em um estado que registra índices alarmantes de violência contra mulheres, “O Grito que Ecoa” assume a arte como gesto de denúncia, memória e resistência. As obras tensionam delicadeza e brutalidade, intimidade e política, criando um percurso que atravessa dor, força e permanência.
Segundo a curadora Sara Welter, a ideia surgiu a partir de discussões com o Coletivo Dorcelina Folador, criado em 2020 para romper padrões patriarcais. O coletivo leva o nome de Dorcelina Folador, vítima de feminicídio em Mundo Novo, e reúne mais de 10 artistas de Mato Grosso do Sul que utilizam a arte para narrar vivências e reivindicar espaços.
A mostra integra a primeira etapa do projeto “Nós Dissemos: Circuito de Arte Dorcelina Folador”, que prevê outras duas exposições em diferentes espaços culturais da Capital.
Entre as obras inéditas está “A Via Crucis do Corpo”, de Sara Welter, produzida com nanquim, carvão e pastel seco. A obra apresenta um corpo feminino ambíguo e fantasmagórico, ora pendurado pela mão, ora pelo pé, com linhas que remetem tanto ao shibari quanto a cortes. Sem cabeça e com o rosto ocultado, o corpo dilacerado evidencia a marca do crime no tecido, simbolizando a violência e o apagamento.
O projeto foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc, em parceria com a Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande, garantindo infraestrutura, produção de obras inéditas e execução integral da proposta.
A exposição segue até 6 de março, no MIS, localizado no 3º andar do Memorial da Cultura e da Cidadania, na avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, Centro. Informações pelo telefone (67) 3316-9178.









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