Intoxicação por mercúrio em indígenas pode ser mais grave do que parece devido a subnotificação, alerta Fiocruz
Apesar de constar 267 casos de intoxicação por mercúrio no sistema oficial (Sinan), especialistas da Fiocruz, em conjunto com os Ministérios da Saúde e dos Povos Indígenas, apontam que os números são subestimados. A realidade pode ser bem mais séria.
O novo Manual Técnico para Atendimento de Indígenas Expostos ao Mercúrio, lançado pela Fiocruz e a Sesai, traz diretrizes clínicas e culturais essenciais para reduzir os danos desses casos invisibilizados.
Análises anteriores descobriram contaminação significativa: um estudo de 2018 encontrado que mais da metade dos Yanomamis avaliados apresentavam níveis moderados ou altos de mercúrio no cabelo; e entre os Munduruku do Pará, os índices médios superavam em quase 4 vezes o limite máximo aceito pela OMS.
O mercúrio presente nos peixes — principal alimento de povos tradicionais da Amazônia — deriva dos garimpos ilegais, e se acumula lentamente no organismo em um processo silencioso, complexo de detectar e difícil de reverter.
E o alerta mais preocupante: não existe medicamento que elimine o mercúrio do corpo humano. Ou seja, não há cura para casos crônicos, os cuidados acabam sendo sintomáticos.
A situação exige medidas preventivas urgentes, monitoramento contínuo e ações integradas de saúde pública, pois os impactos da exposição ao mercúrio são severos e irreversíveis.









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