“Agressões a profissionais de saúde não resolvem a crise: é preciso respeito e responsabilidade”, diz Tiago Botelho em entrevista exclusiva ao 67DigitalNews
Por Redação | 67DigitalNews
Em entrevista exclusiva concedida à equipe do 67DigitalNews, o advogado e professor de Direito da UFGD, Tiago Botelho, criticou duramente a postura de uma vereadora de Dourados que, nos últimos dias, tem protagonizado episódios polêmicos em unidades de saúde do município. Segundo Botelho, o que deveria ser um ato de fiscalização responsável acabou se transformando em um “espetáculo constrangedor”.
“Estamos vendo gritos, abordagens agressivas, exposições indevidas e até tentativas de dar voz de prisão a profissionais da saúde. Isso é completamente inadequado, e pode, inclusive, configurar crime. Fiscalizar não é humilhar trabalhadores”, afirmou Botelho à nossa repórter.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram a parlamentar abordando médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem durante o expediente. Para Botelho, a vereadora tem usado o pretexto da fiscalização para constranger servidores públicos. “Ela filma profissionais sem consentimento, expõe imagens em redes sociais e os trata com truculência. Isso não é apenas uma distorção do papel parlamentar — pode ser enquadrado como abuso de autoridade, assédio moral e violação de direitos de imagem”, destacou.
O professor reforçou que o vereador não tem poder de comando sobre servidores públicos e tampouco pode interferir no atendimento médico. “A função do vereador é legislar e fiscalizar com responsabilidade. Intimidar quem está enfrentando uma rotina exaustiva no sistema de saúde é um desserviço ao cidadão que precisa de atendimento digno”, pontuou.
Segundo ele, é claro que profissionais da saúde devem responder por eventuais falhas, mas por meio dos canais institucionais corretos, como a própria gestão municipal. “Não é papel de parlamentar invadir unidades e apontar o dedo. Isso é autoritário e, acima de tudo, desrespeitoso.”
Botelho também alertou para os efeitos colaterais dessas atitudes. “Elas legitimam a hostilidade da população contra quem está salvando vidas. Em 2024, Mato Grosso do Sul já registrou 995 agressões a médicos — sem contar os casos não formalizados, especialmente entre os profissionais de enfermagem, por medo ou descrédito.”
Durante a entrevista, ele criticou o silêncio do Executivo municipal diante da conduta da vereadora, que, segundo ele, é aliada política do atual prefeito. “Em vez de cobrar soluções de quem realmente é responsável pela crise — o prefeito e o secretário de saúde —, ela prefere mirar nos trabalhadores. Como diz o ditado, a corda arrebenta sempre do lado mais fraco.”
Questionado sobre os possíveis desdobramentos legais dessas ações, Botelho foi enfático: “A gravação, exposição e constrangimento desses trabalhadores pode configurar crimes como abuso de autoridade, difamação, desacato, perturbação do serviço público, entre outros. É grave. E mais grave ainda é a omissão da Prefeitura diante disso.”
Finalizando a conversa, Tiago Botelho se solidarizou com os profissionais da saúde e se colocou à disposição para prestar apoio jurídico àqueles que se sentirem atacados. “Dourados precisa de diálogo, boa gestão e respeito. Populismo barato em busca de curtidas não cura ninguém. O que cura é trabalho, compromisso e empatia.”









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