Uma nova tática criminosa envolvendo transferências via Pix tem feito vítimas em todo o país e acendeu um alerta entre autoridades financeiras. Conhecido como golpe do “Pix errado” ou “Pix devolvido”, o esquema explora o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central para proteger consumidores em casos de fraude, mas que vem sendo usado de forma indevida por golpistas.
O golpe começa quando o criminoso realiza uma transferência para a conta da vítima, geralmente utilizando chaves Pix vinculadas ao número de telefone celular. Pouco tempo depois, o golpista entra em contato alegando que o envio foi feito por engano e solicita a devolução do valor.
O ponto crítico da fraude está no pedido de reembolso. Em vez de orientar a vítima a utilizar a função oficial de devolução do Pix, disponível nos aplicativos bancários, o criminoso fornece dados de outra conta para que o dinheiro seja transferido manualmente.
Enquanto a vítima realiza a devolução, o golpista aciona o MED junto ao banco, alegando ter sido vítima de fraude. Com isso, o sistema pode bloquear e retirar o valor da conta da pessoa enganada, fazendo com que o criminoso receba duas vezes: uma pela transferência voluntária e outra via mecanismo oficial.
Como se proteger
Especialistas alertam que, ao receber um Pix inesperado, o consumidor deve verificar se o valor realmente caiu na conta e, se necessário, realizar a devolução exclusivamente pela função “devolver” ou “reembolsar” do próprio aplicativo bancário. Nunca deve ser feita uma nova transferência para contas indicadas por terceiros.
E se o golpe já aconteceu?
A orientação é comunicar o banco imediatamente, respeitando o prazo de até 80 dias após a transação. O caso será analisado e, se confirmada a fraude, o banco pode devolver os valores conforme as regras do MED. Caso não haja solução, o consumidor pode recorrer ao Procon, ao Consumidor.gov ou à Justiça.









0 comentários