A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou novas estimativas que acenderam um alerta global sobre o avanço do herpes genital. Segundo os dados mais recentes, cerca de 846 milhões de pessoas entre 15 e 49 anos convivem atualmente com a infecção no mundo — o equivalente a uma em cada cinco pessoas dessa faixa etária.
O levantamento também aponta que aproximadamente 42 milhões de novas infecções são registradas todos os anos, o que representa, na prática, uma nova pessoa infectada a cada segundo.
A doença, considerada uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), é causada pelo vírus herpes simplex (HSV), o mesmo responsável pelo herpes labial. Especialistas chamam atenção para o aumento expressivo dos casos ligados ao HSV-1, tipo tradicionalmente associado às lesões na boca, mas que agora aparece cada vez mais relacionado às infecções genitais.
O que é o herpes genital?
O herpes genital é provocado por dois tipos de vírus: o HSV-1 e o HSV-2. Ambos podem causar infecção genital e oral.
O HSV-1 é mais conhecido por provocar herpes labial e costuma ser transmitido por contato oral, como beijo ou compartilhamento de objetos contaminados. Porém, também pode ser transmitido sexualmente, inclusive durante o sexo oral.
Já o HSV-2 é o principal responsável pelos casos clássicos de herpes genital e é transmitido predominantemente por relações sexuais.
De acordo com a OMS, cerca de 3,8 bilhões de pessoas com menos de 50 anos possuem HSV-1 no mundo. Já o HSV-2 atinge aproximadamente 520 milhões de pessoas entre 15 e 49 anos.
Casos aumentam e mudança preocupa especialistas
Os novos dados mostram uma mudança importante no comportamento da doença. Embora o HSV-2 continue sendo o tipo mais associado ao herpes genital, os casos provocados pelo HSV-1 praticamente dobraram nos últimos anos.
Em 2016, a estimativa global era de 192 milhões de infecções genitais causadas por HSV-1. Em 2020, esse número saltou para 376 milhões.
Pesquisas internacionais apontam que práticas sexuais sem proteção, especialmente o sexo oral desprotegido, ajudam a explicar essa mudança de tendência.
Sintomas podem variar — e muitos nem sabem que estão infectados
O primeiro episódio de herpes genital costuma ser o mais intenso. Entre os sintomas estão:
- Bolhas e feridas na região genital;
- Dor intensa;
- Ardência;
- Descamação da pele;
- Febre e mal-estar em alguns casos.
As lesões podem durar de sete a dez dias, podendo levar ainda mais tempo para cicatrizar em casos graves.
No entanto, muitas pessoas não apresentam sintomas aparentes ou possuem manifestações leves, o que dificulta o diagnóstico e aumenta o risco de transmissão sem saber.
Outro ponto importante é que o herpes é uma infecção vitalícia. Após o primeiro contato com o vírus, ele permanece no organismo para sempre, podendo ficar “adormecido” e reaparecer em momentos de baixa imunidade, estresse extremo, cansaço ou desgaste físico e emocional.
Herpes pode ser transmitido mesmo sem sintomas
Especialistas alertam que o vírus pode ser transmitido mesmo quando não existem lesões visíveis.
Isso significa que uma pessoa aparentemente saudável pode transmitir o herpes ao parceiro sem saber.
Além disso, o herpes oral pode ser transmitido para a região genital durante o sexo oral, e o herpes genital também pode infectar a boca.
Durante a gravidez, a atenção deve ser ainda maior. Caso a gestante tenha infecção ativa próxima ao parto, existe risco grave de transmissão ao bebê, situação que pode causar complicações severas em recém-nascidos.
Não existe cura, mas há controle
Apesar de não existir cura definitiva, medicamentos antivirais ajudam a controlar o vírus, reduzir sintomas, diminuir recorrências e minimizar o risco de transmissão.
O tratamento pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
Entre as principais recomendações médicas para prevenção estão:
- Uso de preservativos em todas as relações sexuais;
- Proteção também no sexo oral;
- Evitar relações durante crises com feridas ativas;
- Atenção à saúde imunológica;
- Sono adequado e redução do estresse.
Especialistas reforçam que métodos contraceptivos como a pílula anticoncepcional não protegem contra ISTs.
Estigma ainda é desafio
Além das questões médicas, o herpes genital também carrega forte impacto emocional e social. O medo do julgamento e o estigma ainda fazem muitas pessoas evitarem buscar diagnóstico ou tratamento.
A OMS destaca que educação sexual, informação e conscientização continuam sendo as ferramentas mais importantes para reduzir a transmissão da doença e combater preconceitos relacionados às ISTs.
Profissionais da saúde orientam que qualquer suspeita deve ser avaliada por um médico para diagnóstico correto e acompanhamento adequado.









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