De fábrica de balas à revolução do chocolate: como a Peccin criou o fenômeno Trento
Uma empresa familiar do interior do Rio Grande do Sul conseguiu fazer o improvável: sair do segmento tradicional de balas e entrar no competitivo mercado de chocolates dominado por gigantes globais.
Fundada em 1956 na cidade de Erechim, a Peccin construiu sua trajetória ao longo de décadas produzindo balas, chicletes e pirulitos. Com forte presença internacional, chegou a exportar para mais de 50 países. No entanto, o modelo de negócios apresentava um risco estrutural: a dependência do mercado externo.
A virada aconteceu em 2008, durante a crise cambial, quando a queda do dólar provocou uma redução de aproximadamente 30% no faturamento das exportações. O cenário exigia uma mudança estratégica urgente.
Foi nesse contexto que surgiu a visão de Dirceu Pezzin, filho do fundador. Após décadas visitando feiras internacionais, ele identificou um gap claro: o chocolate europeu apresentava maior qualidade e teor de cacau em comparação ao brasileiro.
A proposta era ambiciosa: desenvolver um produto com padrão europeu, mas com preço acessível ao consumidor nacional.
Após mais de 200 testes e um rigoroso processo de validação interna, nasceu em 2011 o Trento — um wafer em formato de tubo, com recheio cremoso e cobertura de chocolate com cerca de 38% de cacau.
Apesar da inovação, o ceticismo inicial foi grande. A própria equipe comercial duvidava da aceitação do produto, já que a marca era associada exclusivamente a balas. Ainda assim, a empresa apostou em uma estratégia de crescimento gradual, focada no canal atacadista.
O resultado foi expressivo. O Trento rapidamente ganhou espaço no mercado e hoje responde por cerca de 70% do faturamento da companhia. O sucesso consolidou a marca como um dos principais players do segmento no Brasil, competindo com multinacionais como Hershey’s, Lacta e Nestlé.
Mais do que um novo produto, o Trento representa um case de reinvenção empresarial. A empresa que quase perdeu relevância em meio à crise cambial se reposicionou e ampliou sua atuação com inovação, estratégia e foco em qualidade.
A trajetória reforça uma lição clara no ambiente corporativo: empresas que conseguem se reinventar em momentos críticos tendem a retornar ao mercado em um patamar superior.









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