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Parasita raro causa cegueira em usuários de lentes de contato e acende alerta mundial

por | jan 12, 2026 | NOTÍCIAS, SAÚDE, SLIDER | 0 Comentários

Las Vegas / Internacional – O que começou como um simples desconforto ocular transformou-se em uma batalha dolorosa e prolongada contra uma doença rara capaz de causar cegueira permanente. A norte-americana Teresa Sanchez, de 33 anos, perdeu a visão do olho direito após ser infectada por um parasita microscópico conhecido como Acanthamoeba, geralmente presente na água e no solo, e que pode provocar a chamada ceratite por acantamoeba.

À época, Sanchez estava no México para um procedimento médico quando passou a sentir secura intensa, ardência e sensibilidade à luz. Durante quase três meses, recebeu diagnósticos incorretos, como conjuntivite viral e bacteriana, enquanto o parasita avançava silenciosamente, destruindo sua córnea.

“Eu não conseguia nem manter as persianas abertas. A dor era insuportável”, relatou.

Somente após pesquisar por conta própria, Sanchez levantou a suspeita da ceratite por acantamoeba, posteriormente confirmada por um especialista. A doença é considerada rara, com cerca de 23 mil casos anuais no mundo, segundo dados de 2023, mas apresenta um fator de risco predominante: o uso de lentes de contato.

Uso de lentes e contato com água aumentam o risco

Estudos indicam que entre 85% e 95% dos pacientes infectados utilizavam lentes de contato. O problema ocorre porque pequenas lesões na córnea facilitam a entrada do parasita, que pode se alojar na superfície da lente ou entre a lente e o olho, aprofundando a infecção.

“O parasita literalmente utiliza a córnea como fonte de alimento”, explica o optometrista Paul Barney, da Associação Americana de Optometria. Segundo ele, o diagnóstico tardio pode levar à perda irreversível da visão.

A dificuldade de identificação precoce é um dos maiores desafios. Muitos profissionais confundem a ceratite por acantamoeba com herpes ocular ou conjuntivite, o que atrasa o tratamento adequado e agrava o quadro.

Casos extremos e impactos emocionais

A jovem Grace Jamison, de 20 anos, ficou completamente cega por dois meses após usar lentes durante o banho em uma viagem internacional. O uso incorreto de colírios com corticoides agravou ainda mais a infecção.

“Quando perdi a visão, percebi o quanto deixei de valorizar algo essencial”, afirmou.

Além da dor física, os impactos emocionais e sociais são profundos. Pacientes relatam isolamento, medo, limitações severas no dia a dia e longos períodos de tratamento, que podem durar anos.

Tratamento longo, doloroso e sem garantias

O tratamento envolve colírios específicos, muitas vezes manipulados, aplicados de forma intensiva, inclusive durante a madrugada. Em casos mais graves, o transplante de córnea é a única alternativa, embora não elimine totalmente o risco de recidiva.

Após quase três anos, Sanchez passou por um transplante e, posteriormente, uma cirurgia de catarata. Hoje, recuperou a visão total. “Foi uma jornada longa, mas confiar nos médicos fez toda a diferença”, declarou.

Prevenção é a principal arma

Especialistas reforçam que nunca se deve lavar lentes com água, nadar ou tomar banho usando lentes de contato e dormir com elas. A higienização correta e o uso de lentes descartáveis diárias reduzem significativamente os riscos.

O alerta é claro: sintomas como dor intensa, sensibilidade à luz, visão embaçada e sensação de areia nos olhos exigem avaliação imediata com um especialista em córnea.

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