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Um desaparecimento a cada 25 minutos: por que tantos adolescentes somem no país

por | jan 27, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Entre 2021 e abril de 2025, o país registrou 90.256 desaparecimentos de menores; em 2023, adolescentes concentraram a maior parcela entre os casos por idade.

O desaparecimento de crianças e adolescentes deixou de ser exceção e se consolidou como um fenômeno de grande escala no Brasil. Entre 2021 e abril de 2025, foram registrados 90.256 casos de desaparecimento de menores de 0 a 17 anos — média de 57 ocorrências por dia.

Os números derrubam a tese de “casos isolados”. Por trás de cada boletim há um contexto que pode envolver conflitos familiares, violência, exploração, aliciamento online, vulnerabilidade social e, sobretudo, lacunas de prevenção e resposta. Além do impacto direto nas famílias, parte das vítimas retorna com marcas psicológicas e outra parte sequer é localizada, prolongando o sofrimento e a incerteza.

O que dizem os dados mais recentes

No recorte anual mais recente disponível no relatório estatístico do Ministério da Justiça (anos-base 2022 e 2023), o Brasil registrou:

  • 77.060 pessoas desaparecidas em 2023 (todas as idades).
  • Por faixa etária em 2023: 2.158 crianças (0–11) e 17.472 adolescentes (12–17) — ou seja, 19.630 menores no ano, cerca de um quarto do total.

O mesmo relatório detalha que, entre os desaparecidos de 2023, a maior concentração por idade está em adultos, mas a presença de adolescentes segue alta, exigindo resposta específica para riscos como fuga por conflito doméstico e exposição a redes de exploração e aliciamento.

Mato Grosso do Sul no mapa do problema

No relatório nacional específico de crianças desaparecidas (ano-base 2022), Mato Grosso do Sul contabilizou 44 crianças desaparecidas naquele ano (cerca de 2,03% do total do país).
No mesmo documento, o estado aparece com 6 crianças localizadas em 2022.

Importante: “localizada” não significa, necessariamente, desfecho sem danos — muitos casos envolvem trauma, violência e necessidade de acompanhamento.

Por que crianças desaparecem

Especialistas e órgãos públicos apontam um mosaico de fatores que se repetem nos casos:

  • Conflitos familiares e rupturas de cuidado (fuga, expulsão, negligência)
  • Violência doméstica e sexual (a fuga pode ser consequência e, ao mesmo tempo, aumentar a vulnerabilidade)
  • Exploração e aliciamento (inclusive com abordagem e convencimento via redes sociais)
  • Vulnerabilidade social (rua, evasão escolar, ausência de rede de proteção)

O gargalo: informação, integração e velocidade

A legislação brasileira prevê investigação imediata em desaparecimentos de crianças e adolescentes — a chamada “Busca Imediata”, incorporada ao ECA pela Lei nº 11.259/2005.
Na prática, porém, o país ainda enfrenta assimetrias de estrutura, fluxo de dados e articulação entre órgãos.

Para enfrentar esse cenário, o MJSP estrutura a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), que busca integrar e cruzar informações nacionalmente.

Serviço: o que fazer nas primeiras horas

  • Registre ocorrência imediatamente (não existe “prazo de 24h” para esperar quando é criança/adolescente).
  • Reúna informações essenciais: foto recente, roupas, local e horário do último contato, características, possíveis rotas, contatos e perfis de redes sociais.
  • Acione rede de proteção: Conselho Tutelar e serviços locais de assistência (quando aplicável).
  • Acompanhe e atualize o caso: caso haja localização, a atualização é crucial para evitar “desaparecimentos ativos” no sistema e para qualificar estatísticas e buscas.
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