Uma revisão publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews reacende o debate sobre o uso medicinal da cannabis e aponta ausência de eficácia clínica comprovada no tratamento da dor neuropática crônica.
A dor neuropática crônica, condição causada por lesões ou disfunções no sistema nervoso, segue sendo um dos maiores desafios da medicina contemporânea. De difícil controle e, muitas vezes, resistente aos tratamentos convencionais, o quadro leva milhares de pacientes a buscarem alternativas terapêuticas fora dos medicamentos tradicionais.
Entre essas alternativas, os produtos à base de cannabis ganharam destaque nos últimos anos, impulsionados por relatos de pacientes, crescimento do mercado medicinal e maior aceitação social. No entanto, uma revisão científica publicada nesta segunda-feira (19/1) pela Cochrane Database of Systematic Reviews lança dúvidas sobre a real eficácia desses produtos.
O levantamento analisou 21 ensaios clínicos, envolvendo mais de 2,1 mil adultos diagnosticados com dor neuropática. Os estudos avaliaram diferentes formulações de cannabis, incluindo produtos com maior concentração de THC, outros predominantemente à base de CBD e também combinações das duas substâncias.
As pesquisas compararam os medicamentos à base de cannabis com placebos, em períodos que variaram de duas a 26 semanas, utilizando diferentes formas de administração, como inalação da erva, sprays bucais, comprimidos, cremes tópicos e adesivos transdérmicos.
Apesar da diversidade de formatos e composições, os autores da revisão foram categóricos ao concluir que nenhum dos produtos analisados demonstrou redução consistente da dor em comparação ao placebo. Em alguns casos, os pacientes relataram pequenas melhoras, porém os efeitos foram considerados insuficientes para relevância clínica.
Além da baixa eficácia, o estudo também destacou a ocorrência de efeitos colaterais, especialmente nos medicamentos que continham THC. Entre os sintomas mais frequentes estão tontura e sonolência, que, em determinados ensaios, levaram parte dos participantes a interromper o tratamento antes do prazo estipulado.
Os pesquisadores ressaltam que, apesar da popularidade crescente da cannabis medicinal, as evidências científicas atuais não sustentam seu uso como tratamento eficaz para dor neuropática crônica, reforçando a necessidade de mais estudos rigorosos antes da ampla adoção terapêutica.









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