Assim como levamos o carro para a revisão antes de um defeito aparecer, nosso corpo também precisa de atenção constante, os exames de rotina são a melhor ferramenta para isso. Conhecido como check-up, o acompanhamento preventivo da saúde permite identificar doenças silenciosas ainda em estágio inicial, aumentando as chances de tratamento e melhorando a qualidade de vida.
Segundo o médico Luís Fernando Penna, do Hospital Sírio-Libanês, exames como glicemia, colesterol, aferição de pressão e cálculo do IMC devem ser feitos anualmente. Esses indicadores ajudam a detectar, com antecedência, problemas como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e até insuficiência renal. “Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de evitar complicações sérias como infarto ou AVC”, alerta o especialista.
Mas a frequência e o tipo de exames variam conforme a idade. Confira a seguir os principais exames indicados para cada fase da vida:
🧒 Infância e adolescência (0 a 18 anos)
- Hemograma, glicemia e colesterol (a partir dos 5 anos ou conforme orientação médica)
- Triagem auditiva (teste da orelhinha) e visual (teste do olhinho) ainda na maternidade
- Avaliação da acuidade visual e estrabismo a partir dos 3 anos
- Testes para anemia e parasitose
- Carteira de vacinação sempre atualizada
👨🦱 Adultos jovens (20 a 40 anos)
- Aferição da pressão arterial e exames de sangue regulares
- Avaliação de IMC e função renal
- Exames ginecológicos para mulheres a partir dos 25 anos
- Rastreamento de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)
- Avaliações hormonais e cardíacas em pessoas com fatores de risco
👩🦳 Após os 40 anos (40 a 60 anos)
- Manutenção dos exames anteriores com maior regularidade
- Mamografia obrigatória para mulheres a partir dos 40 anos
- Exame de PSA e toque retal para homens a partir dos 45 anos (ou antes, se houver histórico familiar)
- Colonoscopia a partir dos 45 anos
- Avaliação oftalmológica e risco cardiovascular
👴 Terceira idade (60 anos ou mais)
- Densitometria óssea para diagnóstico de osteoporose
- Avaliação da função renal e hepática
- Dosagem de vitamina D e eletrólitos (sódio e potássio)
- Testes cognitivos para analisar memória e outras funções cerebrais
- Verificação das vacinas específicas para idosos, como gripe, pneumococo e herpes-zóster
Além da idade, outros fatores também interferem nas recomendações: histórico familiar, doenças pré-existentes, hábitos alimentares, estilo de vida, região onde a pessoa mora e até mesmo sua profissão.
A médica Nara Lins, da Universidade Federal do Pará, destaca que cada exame deve ser solicitado de forma consciente e estratégica. “O médico trabalha com probabilidades. Um pedido exagerado de exames pode desviar o diagnóstico correto ou até levar a tratamentos desnecessários. A conversa com o paciente é fundamental para guiar a investigação clínica da maneira certa”, explica.
A principal mensagem é: cuidar da saúde não deve ser algo feito apenas diante de um sintoma. Agendar um check-up anual com um profissional de confiança é um gesto de prevenção e, em muitos casos, de autopreservação.









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