A ciência brasileira ganhou destaque mundial com a conquista histórica da pesquisadora Mariangela Hungria, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A cientista foi laureada com o World Food Prize 2025, premiação internacional considerada o “Nobel da Agricultura”, concedida a pesquisadores que promovem avanços decisivos na produção de alimentos e na segurança alimentar global.
A premiação reconhece mais de quatro décadas de pesquisas dedicadas ao desenvolvimento de soluções biológicas para a agricultura, especialmente a fixação biológica do nitrogênio, tecnologia que utiliza bactérias benéficas capazes de fornecer nutrientes essenciais às plantas.
Tecnologia que mudou o agro
O trabalho de Mariangela revolucionou o manejo agrícola ao demonstrar que microrganismos do solo podem substituir fertilizantes químicos. Essas bactérias capturam o nitrogênio presente no ar e o transformam em nutrientes disponíveis para as plantas, alimentando diretamente as raízes.
Essa solução biológica se tornou amplamente utilizada na agricultura brasileira, especialmente em culturas como a soja. Hoje, as tecnologias desenvolvidas pela pesquisadora são aplicadas em milhões de hectares de lavouras, reduzindo custos de produção e diminuindo a dependência de fertilizantes químicos importados.
Impacto econômico e ambiental
Além de aumentar a produtividade agrícola, a inovação trouxe benefícios ambientais importantes. A substituição de fertilizantes sintéticos diminui a emissão de gases de efeito estufa e reduz a poluição do solo e da água.
Especialistas destacam que essa abordagem biológica também contribuiu para consolidar o Brasil como uma potência agrícola global, ampliando a produção de grãos e fortalecendo a sustentabilidade no campo.
Reconhecimento histórico
Mariangela Hungria se tornou a primeira mulher brasileira a receber o World Food Prize, entrando para a história da ciência nacional. A premiação, criada em 1986 pelo agrônomo Norman Borlaug, reconhece pessoas que contribuem para melhorar a qualidade e a disponibilidade de alimentos no mundo.
Com a conquista, a pesquisadora reforça o protagonismo da ciência brasileira no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis capazes de alimentar a população mundial sem ampliar os impactos ambientais.









0 comentários