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Quando o tratamento vira causa: abuso de analgésicos preocupa especialistas

por | abr 17, 2026 | NOTÍCIAS, SAÚDE, SLIDER | 0 Comentários

Uso excessivo de analgésicos pode transformar dor de cabeça em doença crônica

O hábito comum de recorrer a analgésicos para aliviar dores de cabeça pode, paradoxalmente, agravar o problema e levar à cronificação das crises. Especialistas alertam que o uso frequente desses medicamentos está diretamente ligado ao desenvolvimento da chamada cefaleia por uso excessivo de medicação, uma condição que reduz a eficácia dos remédios e aumenta a intensidade da dor.

Dados do Estudo Global da Carga de Doenças, Lesões e Fatores de Risco (GBD), publicado pela The Lancet, mostram a dimensão do problema: cerca de 2,9 bilhões de pessoas conviviam com algum tipo de dor de cabeça em 2023, o equivalente a 34,6% da população mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a enxaqueca está entre as principais causas de incapacidade, especialmente entre pessoas em idade produtiva.

Como o problema se desenvolve

A cefaleia por uso excessivo de medicação ocorre quando analgésicos passam a ser utilizados de forma recorrente — geralmente por mais de três dias por semana. Com o tempo, o cérebro sofre alterações nos sistemas de modulação da dor, tornando-se mais sensível e menos responsivo ao tratamento.

Esse processo cria um ciclo perigoso: quanto mais o paciente utiliza o medicamento, mais frequentes e intensas se tornam as crises, levando à dependência do próprio remédio.

Limites seguros e riscos

Especialistas recomendam cautela no uso de analgésicos:

  • Analgésicos simples: até 10 a 15 dias por mês
  • Medicamentos específicos para enxaqueca: menos de 10 dias mensais

Ultrapassar esses limites aumenta significativamente o risco de cronificação da dor.

Além disso, o uso prolongado pode causar efeitos colaterais importantes, como problemas gastrointestinais, renais e cardiovasculares, dependendo da substância e da duração do consumo.

O que fazer

Pacientes com dores frequentes devem buscar avaliação médica para diagnóstico correto e tratamento preventivo. A retirada dos medicamentos, quando necessária, deve ser gradual e acompanhada por profissionais de saúde.

O tratamento pode envolver equipe multiprofissional, incluindo suporte psicológico, já que a suspensão do uso pode gerar sintomas de abstinência como ansiedade, tremores e piora temporária da dor.

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