Uma série de pesquisas recentes utilizando a tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging) está redefinindo o entendimento científico sobre a ocupação humana na Amazônia. O método, que utiliza pulsos de laser emitidos por aeronaves e drones, permite mapear o relevo do solo mesmo sob a densa cobertura florestal.
Com essa tecnologia, arqueólogos identificaram extensas estruturas artificiais até então invisíveis, incluindo estradas elevadas, plataformas, canais de drenagem e geoglifos geométricos. As descobertas indicam a presença de sistemas urbanos complexos e altamente organizados, sugerindo que a região abrigou sociedades densamente povoadas antes da chegada dos europeus.
Estudos conduzidos em áreas do Brasil e da Bolívia revelam redes interligadas de assentamentos, com planejamento territorial e infraestrutura de larga escala. Em alguns sítios, foram identificadas vias que conectavam diferentes núcleos populacionais, além de sistemas de manejo de água, fundamentais para a sobrevivência em ambiente tropical.
Entre os achados, pesquisadores apontam evidências da colônia portuguesa de Lamego, fundada no século XVIII, cuja localização e estrutura foram melhor compreendidas com o uso do LiDAR. A descoberta reforça registros históricos e amplia o conhecimento sobre a presença europeia na região amazônica.
Especialistas indicam que apenas uma pequena fração da Amazônia foi analisada com essa tecnologia, o que sugere que novas descobertas ainda devem emergir nos próximos anos. A pesquisa também contribui para o debate sobre a Amazônia como uma paisagem amplamente modificada pela ação humana ao longo de séculos.
A nova interpretação desafia a visão tradicional de que a floresta era ocupada apenas por grupos dispersos, apontando para uma realidade de sociedades organizadas, com engenharia ambiental sofisticada e potencial populacional significativo.









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