Sidrolândia, município de Mato Grosso do Sul, se tornou palco de uma investigação de grande impacto. A operação denominada Operação Dirty Pix, conduzida pelo GAECO/MS (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em conjunto com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e o GECOC (Grupo Especial de Combate à Corrupção), investiga o desvio de aproximadamente R$ 5,4 milhões que deveriam ter sido aplicados na saúde municipal.
O que já foi encontrado e o que já foi apurado
- A investigação aponta que os recursos foram repassados pelo Estado ao município com a finalidade de compra de um aparelho de ressonância magnética e uma autoclave para o Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa.
- Apesar da quitação ou contrato, os equipamentos não foram entregues conforme previsto. A empresa fornecedora (Pharbox Distribuidora Farmacêutica) teria recebido os valores ou parte deles — e pagamentos foram feitos via PIX para o presidente do hospital e para parlamentares municipais.
- Foi identificado o uso de transferências via PIX como parte do esquema de vantagem indevida (“propina”), realizadas direta ou indiretamente para dirigentes hospitalares e vereadores.
- Em cumprimento da operação, 18 mandados de busca e apreensão foram executados em Sidrolândia (MS) e em Manaus (AM).
- Durante as buscas foram apreendidos documentos, celulares, aparelhos eletrônicos, além de uma arma de fogo sem registro na residência do ex-diretor do hospital.
Quem já foi preso ou detido
- Jacob Breure, ex-diretor ou presidente do hospital, foi preso em flagrante durante a operação, após encontrarem arma sem documentação em sua residência. Ele pagou fiança e foi liberado.
- Cristina Fiuza (MDB), vice-prefeita de Sidrolândia (e ex-vereadora), foi conduzida à delegacia após os agentes encontrarem porção de maconha em sua residência durante a ação. A detenção não tem relação direta confirmada até agora com o esquema investigado, mas ela é alvo dos mandados da operação.
- Adavilton Brandão, vereador do município, tido como alvo da operação, teve seu telefone celular apreendido pelos investigadores para perícia.
- Outros vereadores e ex-vereadores estão sob investigação: Izaqueu de Souza Diniz (PSD), Cledinaldo Marcelino Cotócio (sem partido), Elieu da Silva Vaz (PSDB), Enelvo Felini Júnior (ex-secretário) e José Ademir Gabardo (ex-vereador) são citados entre os investigados.
Por que a operação se chama “Dirty Pix”
O nome faz alusão ao uso indevido de transferências instantâneas do tipo PIX para movimentar valores públicos de forma oculta — em tradução livre, “PIX sujo”. Essa estratégia teria sido utilizada para mascarar pagamentos de propina, dificultando o rastreamento.
Próximos Passos
- Perícia dos materiais apreendidos: documentos, celulares e computadores passarão por análise técnica para mapear todas as transações, vínculos e prestadores de serviço envolvidos.
- Quebra de sigilos bancários e fiscais: para rastrear a rota do dinheiro, identificar contas, beneficiários finais e empresas de fachada.
- Depoimentos, indiciamentos e possível delação premiada: investigados poderão prestar depoimento, colaborar com a investigação ou fechar acordos que acelerem o caso.
- Ação penal e civil: espera-se denúncia formal contra os acusados por peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro; paralelamente, ação civil busca a devolução dos valores ou a entrega dos equipamentos contratados.
- Consequências políticas e administrativas: gestores públicos investigados podem sofrer afastamentos, cassações e ter escândalo político com impacto local, especialmente com eleições à vista.
- Monitoramento da empresa fornecedora e eventual bloqueio de bens: para garantir ressarcimento e impedir dilapidação de patrimônio.
- Transparência pública e repercussão: o caso será acompanhado de perto pela mídia, sociedade civil e órgãos de controle, servindo como alerta para municípios de todo o país.









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