Em entrevista concedida ao Jornal da Hora nesta quarta-feira (10), o vereador Maicon Nogueira (PP), integrante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o transporte público de Campo Grande, afirmou que a prefeitura precisa agir “com coragem” e romper o contrato com o Consórcio Guaicurus, responsável pelo sistema de transporte coletivo da Capital.
Segundo o parlamentar, existe no contrato uma cláusula que autoriza intervenção direta da prefeitura, permitindo inclusive que um novo diretor seja nomeado para o consórcio. A chamada 15ª cláusula abriria caminho para uma intervenção de 180 dias, período no qual seriam avaliados os motivos para falhas recorrentes na prestação de serviços.
“Enfrentar com coragem, canetar. Existe a 15ª cláusula que prevê a intervenção. A prefeitura pode nomear um novo diretor e, após 180 dias de averiguações, se ficar comprovado que não há condições de gestão, pede-se a caducidade, o fim do contrato”, explicou Maicon.
Lucro milionário, frota envelhecida e redução de ônibus
Nogueira criticou a falta de investimentos do consórcio, destacando que, apesar do lucro milionário acumulado ao longo dos anos, a frota segue envelhecida e operando com menos ônibus.
“Durante boa parte do contrato, o lucro da empresa foi milionário e acima do previsto. Mesmo assim, não trocaram a frota, não adquiriram novos ônibus, não fizeram manutenção preventiva. Não é normal pagarmos caro em uma tarifa para uma empresa que reduz veículos e sucateia a qualidade do serviço”, reforçou o vereador.
Atualmente, conforme lembrado por Maicon, Campo Grande possui a maior tarifa de ônibus entre as capitais brasileiras, enquanto mantém uma das frotas mais antigas do país — combinação que tem gerado forte insatisfação entre os usuários.
Petição pelo fim do contrato já superou 10 mil assinaturas
Em resposta à situação, Maicon Nogueira lançou uma petição online pedindo a caducidade do contrato com o Consórcio Guaicurus. A mobilização já ultrapassa 10 mil assinaturas, reunindo passageiros e cidadãos insatisfeitos com o atual cenário do transporte público.
O vereador ressaltou que a pressão popular é fundamental para reforçar a necessidade de uma mudança estrutural no sistema e para incentivar a prefeitura a utilizar os mecanismos legais disponíveis.









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