Venezuela vive clima de incerteza política após captura de Nicolás Maduro por forças americanas; Delcy Rodríguez assume presidência interina
A crise política na Venezuela atingiu um novo patamar após a captura do ditador Nicolás Maduro e da esposa dele, Cilia Flores, em Caracas, por forças americanas. Dias depois do episódio, o país permanece mergulhado em turbulência institucional e diplomática, enquanto Washington reforça sua influência direta sobre os rumos do governo venezuelano.
Na segunda-feira (6), Maduro e Flores compareceram ao tribunal em Nova York e se declararam inocentes das acusações de tráfico de drogas e porte de armas. Durante a audiência, Maduro declarou:
“Eu ainda sou o presidente do meu país.”
A próxima sessão judicial está marcada para 17 de março. Ambos optaram por não solicitar fiança ou libertação imediata.
Nova liderança em Caracas
Enquanto o tribunal americano segue com o processo, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o cargo de presidente interina na própria segunda-feira. Porém, a legitimidade desse movimento é contestada internacionalmente.
O ex-presidente Donald Trump afirmou publicamente que mantém o controle sobre a situação venezuelana e não descartou uma intervenção militar mais ampla caso o regime não coopere.
Casa Branca fala em “operação militar em andamento”
O chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, Stephen Miller, classificou a atuação dos EUA na Venezuela como uma “operação militar em andamento”, ainda que oficialmente o governo descreva o episódio como ação policial.
Segundo Miller, Washington usa seu domínio sobre setores estratégicos da economia venezuelana como ferramenta de pressão para forçar decisões alinhadas aos interesses americanos. Ele também indicou que novas acusações contra autoridades venezuelanas não estão descartadas.
Qual é o plano dos EUA?
O líder da maioria no Senado, John Thune, declarou que respostas mais claras sobre o cronograma de controle americano na Venezuela devem surgir “nos próximos dias”. Porém, dentro do próprio Congresso americano há dúvidas sobre a existência de um plano estratégico sólido para o país sul-americano.
María Corina promete retorno ao país
A líder da oposição, María Corina Machado, afirmou que pretende retornar à Venezuela o mais rápido possível. Ela afirmou não manter contato com Trump desde outubro e criticou o fato de Washington rejeitar sua legitimidade como alternativa de governo.
Petróleo volta ao centro do conflito
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, deve se reunir com executivos do setor petrolífero para discutir ações sobre a infraestrutura energética venezuelana. Trump declarou que empresas americanas levariam menos de 18 meses para reconstruir o sistema de petróleo do país.
Washington também planeja interceptar um petroleiro ligado à Venezuela, atualmente sob disputa com a Rússia, para reforçar seu bloqueio marítimo.
Escalada internacional
Trump ampliou o tom de ameaça, citando possíveis ações militares na Colômbia, pressionando o México e fazendo declarações sobre interesses estratégicos dos EUA além do continente.
Enquanto isso, a Venezuela permanece no centro de uma das mais complexas crises políticas globais recentes, com impactos ainda imprevisíveis para a região.









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