O desembargador Jairo Roberto de Quadros do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) prorrogou por mais 90 dias o monitoramento eletrônico de investigados na Operação Spotless, escândalo de corrupção que abalou o município de Terenos e expôs supostas fraudes em contratos públicos superiores a R$ 15 milhões.
A medida atinge o prefeito afastado Henrique Wancura Budke (PSDB) e outros 14 envolvidos, entre empresários e ex-servidores públicos. Todos continuarão usando tornozeleiras eletrônicas, com proibição de acesso às dependências da Administração Municipal, contato com outros denunciados ou eventuais testemunhas.
O prazo inicial, de 90 dias, havia sido determinado pelo desembargador José Ale Ahmad Netto, com término previsto em janeiro. A nova determinação estende esse controle até abril de 2026. A decisão foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico.
Escândalo e Tramitações Judiciais
O caso ganhou repercussão nacional em setembro de 2025, quando o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), ambos do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, deflagraram a Operação Spotless. A ação cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 59 de busca e apreensão em Terenos, Campo Grande e municípios vizinhos, apontando a existência de uma organização criminosa instalada na Prefeitura.
As investigações — embasadas também em provas extraídas de aparelhos celulares apreendidos durante a Operação Velatus — revelaram que o grupo fraudava licitações públicas por meio de editais moldados para beneficiar empresas participantes do esquema, simulando competição legítima. A prática teria desviado recursos públicos estimados em mais de R$ 15 milhões nos últimos anos.
Segundo o Ministério Público, a organização também pagava propina a agentes públicos que atestavam falsamente o recebimento de bens e serviços, bem como aceleravam o trâmite de pagamentos indevidos relacionados a contratos públicos.
Repercussões e Próximos Passos
Além da prorrogação do monitoramento, o caso segue em tramitação. Está previsto para 19 de fevereiro de 2026 o julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ) de um recurso do Ministério Público Federal contra decisão do ministro Ribeiro Dantas, que revogou a prisão do prefeito e demais investigados.
O escândalo permanece sob sigilo judicial parcial, mas autoridades reforçam que qualquer violação das condições impostas — como tentativa de contato entre os investigados — poderá levar à decretação de prisão preventiva imediata.
Contexto Político e Social
A Operação Spotless expôs o impacto da corrupção institucional no interior sul-mato-grossense. Terenos enfrenta inquietação entre moradores e setores políticos locais desde a prisão do prefeito e outros integrantes do esquema. O episódio se soma a uma série de investigações que abalaram prefeituras e câmaras municipais em 2025 no estado, incluindo desvios e fraudes em diferentes municípios.









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