Ônibus com goteiras expõem passageiros e reforçam crise no transporte coletivo de Campo Grande
Mais uma vez, a chuva escancarou a precariedade do transporte coletivo em Campo Grande. Nesta terça-feira (3), passageiros da linha 072, operada pelo Consórcio Guaicurus, registraram goteiras intensas dentro do ônibus, com água escorrendo pelas barras de apoio e caindo diretamente sobre os usuários.
“Chove mais dentro do que fora”, desabafou uma passageira ao registrar a situação. As imagens rapidamente se espalharam pelas redes sociais, gerando revolta e reacendendo críticas sobre a má conservação da frota que atende milhares de pessoas diariamente na Capital.
O episódio reforça denúncias antigas e recorrentes sobre o descumprimento do contrato de concessão. Diante desse cenário, o vereador Maicon Nogueira liderou uma mobilização popular que resultou em uma petição com milhares de assinaturas, solicitando a intervenção da Prefeitura de Campo Grande no Consórcio Guaicurus.
A pressão popular e os apontamentos feitos pelo parlamentar ganharam respaldo no Judiciário. No dia 17 de dezembro, durante a greve dos motoristas, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou, em caráter de urgência, que o Município promovesse a intervenção na concessão, com apoio da Agereg e da Agetran.
Na decisão, o magistrado destacou irregularidades graves, como a idade média da frota, que deveria ser de até cinco anos, mas atualmente chega a oito, com veículos que atingem até 15 anos de uso. Também foi citada uma transação financeira suspeita de R$ 32 milhões para a empresa Viação Cidade dos Ipês, sem justificativa formal.
“O que vemos hoje nas ruas confirma exatamente o que foi denunciado na CPI e pela população: um serviço inadequado, que desrespeita o cidadão e coloca em risco quem depende do transporte coletivo”, afirmou Maicon Nogueira.
Apesar da decisão judicial, a prefeita Adriane Lopes informou que solicitou esclarecimentos ao Judiciário para entender o formato da intervenção. O Município tem até esta quarta-feira (4) para recorrer. Caso contrário, começa a contar o prazo para nomeação do interventor.
Enquanto isso, a população de Campo Grande segue enfrentando ônibus sucateados, goteiras e falta de dignidade — uma realidade que evidencia a urgência de mudanças profundas no transporte coletivo da Capital.








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