Após quase um ano de articulação entre instituições públicas e sociedade civil, Mato Grosso do Sul deu um passo estratégico no enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa. O Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) FortaleSer apresentou o Instrumento Técnico da Rede de Enfrentamento ao Racismo e à Intolerância Religiosa, consolidando diretrizes práticas para atuação integrada em todo o Estado.
O documento foi lançado durante o encerramento dos “21 Dias de Ativismo pelo Enfrentamento à Intolerância Religiosa”, realizado na Secretaria de Estado da Cidadania (SEC), simbolizando um avanço institucional na construção de políticas públicas estruturadas.
Criado em 2025, o GTI é coordenado pela Subsecretaria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial e reúne representantes de diversas áreas, como saúde, educação, segurança pública, Ministério Público, universidades e movimentos sociais. O objetivo central é prevenir, enfrentar e erradicar o racismo e outras formas de discriminação.
Guia prático para atuação integrada
Com 37 páginas, o instrumento funciona como um manual técnico voltado a gestores públicos, profissionais da rede de proteção e sociedade civil. O material estabelece diretrizes claras para acolhimento de vítimas, encaminhamento de denúncias e monitoramento dos casos.
Entre os principais pontos, o documento apresenta:
- Conceitos fundamentais sobre racismo e intolerância religiosa
- Fundamentos legais e princípios da política pública
- Fluxos de atendimento e atuação intersetorial
- Orientações para implementação de redes municipais
A proposta é garantir padronização e eficiência no atendimento em áreas como saúde, educação, assistência social e segurança pública.
Mudança institucional e impacto direto
O subsecretário Deividson Silva destacou que a rede já alcança municípios e atua diretamente na ponta. Segundo ele, o instrumento técnico representa um marco ao organizar e orientar a política antirracista no Estado.
Na segurança pública, avanços também são visíveis. O delegado Fabrício Dias dos Santos ressaltou a atualização da linguagem institucional — reconhecendo juridicamente o racismo na modalidade de injúria racial — e a criação de protocolos específicos para atendimento a populações vulneráveis.
Além disso, a formação de novos policiais civis passa a incluir conteúdos voltados ao enfrentamento do racismo e da intolerância religiosa.
Educação e municípios fortalecem a rede
Na educação, a construção de protocolos antirracistas e campanhas de identidade étnico-racial nas escolas já começam a transformar o ambiente escolar, diferenciando corretamente situações de racismo e bullying.
No âmbito municipal, Campo Grande avança com capacitação de servidores e ações contínuas, ampliando o debate para além de datas simbólicas.
Política estruturada e olhar territorial
O instrumento integra o programa “MS sem Racismo”, que reúne ações estratégicas para consolidar uma política pública permanente. O foco agora é ampliar o alcance para diferentes territórios e populações, incluindo comunidades quilombolas e grupos urbanos.
A iniciativa marca um avanço significativo na construção de uma política de Estado voltada à equidade racial, com atuação coordenada e impacto direto na sociedade.









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