Adolescente vence batalha contra câncer ósseo raro após dores nas costas ignoradas inicialmente
Ao sentir as primeiras dores nas costas, Júlia, de 16 anos, acreditou se tratar de algo comum na rotina escolar. O que parecia um desconforto passageiro, no entanto, revelou um diagnóstico devastador: Sarcoma de Ewing, um tipo raro e agressivo de câncer ósseo que atinge principalmente crianças e adolescentes.
Moradora de Brasília (DF), a estudante viu sua vida mudar completamente no último ano. Após exames iniciais que indicaram pneumonia, a persistência da dor levou a família a buscar investigação mais aprofundada. A tomografia e, posteriormente, a biópsia confirmaram o tumor.
“No momento, perdemos o chão”, relembra a mãe, Danielle Rodrigues Junqueira, de 48 anos. “Entreguei tudo nas mãos de Deus para nos dar força.”
Jornada intensa de tratamento
O tratamento levou a família a São Paulo, onde Júlia foi acompanhada pela oncologista pediátrica Carla Macedo, especialista em sarcomas ósseos no Hospital Samaritano Higienópolis. A adolescente precisou se afastar da escola e enfrentar uma rotina exaustiva.
Inicialmente, foram seis ciclos de quimioterapia. Em seguida, Júlia passou por uma cirurgia de alta complexidade para retirada de três costelas e implantação de prótese de titânio. Depois do procedimento, ainda enfrentou mais oito sessões de quimioterapia, realizadas a cada 21 dias.
A queda de cabelo foi um dos momentos mais marcantes do processo. “Foi o que mais a impactou”, conta a mãe.
Mesmo longe de casa, Júlia contou com o apoio constante dos amigos e o carinho especial de suas calopsitas, que foram levadas para São Paulo para ajudá-la emocionalmente durante o tratamento.
Neste mês, a adolescente concluiu a última sessão de quimioterapia — um marco de esperança após meses de incertezas.
O que é o Sarcoma de Ewing?
Os sarcomas ósseos são tumores primários que se desenvolvem nos ossos. Entre adolescentes, os mais comuns são o osteossarcoma e o Sarcoma de Ewing.
O Sarcoma de Ewing é o segundo tumor ósseo maligno mais frequente na infância e adolescência. Trata-se de um câncer agressivo, associado a uma alteração genética específica, geralmente envolvendo os genes EWS e FLI1.
Os principais sintomas incluem:
- Dor óssea persistente, principalmente à noite
- Inchaço ou presença de massa
- Febre sem causa aparente
- Perda de peso e fadiga
- Fraturas espontâneas
O diagnóstico exige exames de imagem e confirmação por biópsia. O tratamento é multidisciplinar, envolvendo quimioterapia, cirurgia e, em alguns casos, radioterapia.
Alerta para os pais
Para Danielle, a principal lição é clara: não ignorar sinais persistentes. “Não se pode ignorar nenhuma dor. Temos que investigar. Nunca imaginei que minha filha teria essa doença.”
Histórias como a de Júlia reforçam a importância do diagnóstico precoce e da atenção aos sintomas, especialmente na adolescência — fase de maior incidência desse tipo de tumor.









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