Empresário chinês planeja dezenas de filhos por barriga de aluguel e caso levanta alerta ético nos EUA
À primeira vista, tratava-se de mais um pedido rotineiro de reconhecimento de paternidade em um tribunal de família da Califórnia. No entanto, a repetição do mesmo nome em processos distintos, envolvendo crianças diferentes e circunstâncias semelhantes, despertou a atenção da Justiça. A investigação revelou um caso incomum que mistura poder econômico, reprodução assistida e uma visão controversa sobre família.
O centro da controvérsia é Xu Bo, empresário chinês do setor de tecnologia e fundador de uma grande empresa de jogos. Segundo apuração da imprensa internacional, ele teria recorrido de forma sistemática à gestação por substituição nos Estados Unidos, com o objetivo declarado de ter dezenas de filhos — em sua maioria, meninos.
Alerta no tribunal de família
O caso veio à tona em um tribunal de Los Angeles, quando a juíza responsável identificou um volume atípico de pedidos de reconhecimento de paternidade ligados ao mesmo requerente. Em uma das ações, Xu Bo chegou a solicitar a guarda legal de crianças que ainda não haviam nascido.
A Justiça negou o pedido, entendendo que não se tratava de um projeto familiar convencional, mas de uma iniciativa que extrapolava os limites esperados da paternidade e levantava preocupações legais e éticas.
Mais de cem filhos e ausência de convivência
As investigações indicam que o empresário seria pai de mais de uma centena de crianças, todas geradas por meio de barriga de aluguel. Após a interrupção judicial dos processos, os bebês teriam permanecido sob os cuidados de equipes de babás e profissionais especializados, em uma cidade da Califórnia.
O aspecto mais sensível do caso é a ausência de vínculo direto: o empresário não teria conhecido pessoalmente a maioria dos filhos. Embora a empresa ligada a ele negue números mais elevados divulgados nas redes sociais, admite que o total ultrapassa cem crianças, resultado de um projeto planejado ao longo de vários anos.
Visão radical sobre família
Em declarações públicas raras, Xu Bo afirmou não acreditar no casamento e defendeu relacionamentos sem vínculos formais. Segundo ele, esse modelo evitaria conflitos e prejuízos financeiros, especialmente para as mulheres.
Essa visão ajuda a explicar por que, no caso, a paternidade aparece dissociada de convivência cotidiana ou vínculo afetivo, sendo tratada mais como um projeto de descendência do que como uma relação familiar tradicional.
Tendência entre ultrarricos
Embora extremo, o caso reflete um fenômeno crescente. Agências especializadas em gestação por substituição nos Estados Unidos têm registrado aumento na procura por parte de clientes estrangeiros muito ricos, especialmente da Ásia.
O objetivo, segundo relatos do setor, seria garantir múltiplos herdeiros para, no futuro, escolher aquele considerado mais apto a administrar patrimônio, influência ou poder — uma lógica comparada por especialistas a modelos dinásticos modernos.
Debate em aberto
O episódio reacendeu discussões sobre os limites da reprodução assistida, os direitos das crianças e o impacto do capital em decisões profundamente humanas. Até que ponto dinheiro e tecnologia podem redefinir o conceito de família?
Enquanto tribunais acompanham o avanço desse mercado, uma questão permanece: quando a paternidade deixa de ser vínculo e passa a ser estratégia?









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