Carga tributária faz carro no Brasil custar muito mais que no Paraguai — e diferença não está só no preço de compra
Enquanto no Paraguai a tributação se concentra basicamente no IVA de 10%, no Brasil o consumidor enfrenta uma soma de impostos federais e estaduais que encarece o veículo e ainda gera custos anuais elevados.
Campo Grande (MS) — A comparação entre os sistemas tributários do Paraguai e do Brasil revela uma diferença significativa no custo final de aquisição e manutenção de veículos. Quando os números são colocados na ponta do lápis, o impacto no bolso do consumidor é evidente.
No Paraguai, a carga tributária sobre veículos é simplificada. Incide principalmente o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), com alíquota em torno de 10%, além de taxas administrativas consideradas modestas. Não há tributos equivalentes ao IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), comuns no sistema brasileiro.
Já no Brasil, o valor de um veículo sai de fábrica com uma estrutura tributária mais complexa, que inclui impostos federais e estaduais embutidos no preço final. O impacto não termina na compra. Anualmente, o proprietário também precisa arcar com o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).
Em estados como São Paulo, a alíquota pode chegar a 4% sobre o valor venal do veículo. Em modelos avaliados acima de R$ 200 mil, o imposto anual pode ultrapassar R$ 8 mil, apenas para manter o carro regularizado.
No Paraguai, por outro lado, não existe IPVA. O proprietário paga apenas o Licenciamento Veicular, uma taxa municipal anual que não varia diretamente conforme o valor do automóvel. Para veículos com até quatro anos de uso, o custo gira em torno de R$ 350.
A diferença, portanto, não está apenas no preço de compra, mas no custo acumulado ao longo dos anos. O peso maior não é necessariamente o modelo ou a potência do motor, mas o sistema tributário que incide sobre ele.









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