Ex-candidatas pedem cassação de mandato da vereadora Luiza Ribeiro após episódio em manifestação
Campo Grande (MS) – Um episódio ocorrido durante uma manifestação de mães atípicas na Capital resultou em um pedido formal de cassação do mandato da vereadora Luiza Ribeiro (PT). O requerimento foi protocolado por Juliana Gaioso (PP) e Vivi Tobias (PL), ambas ex-candidatas nas eleições municipais de 2024.
De acordo com o documento encaminhado à Câmara Municipal de Campo Grande, as ex-candidatas alegam que Luiza Ribeiro teria feito um gesto obsceno – mostrando o dedo médio – na direção delas durante o ato, realizado na região central da cidade. O gesto teria acontecido no momento em que mães de crianças com deficiência reivindicavam melhorias no atendimento e fornecimento de insumos pelo poder público municipal.
Pedido de cassação e fundamentos apresentados
Segundo o pedido protocolado, o comportamento da vereadora configuraria quebra de decoro parlamentar, com base no regimento interno da Câmara. As autoras do pedido afirmam que foram ofendidas publicamente e que o ato foi presenciado por outras pessoas presentes na manifestação.
As duas signatárias, conhecidas por sua atuação em movimentos conservadores, defenderam que a atitude da parlamentar “não condiz com o comportamento esperado de um agente público, especialmente diante de um grupo de mães em situação de vulnerabilidade emocional”.
O documento foi recebido pela Mesa Diretora e aguarda análise preliminar quanto à admissibilidade. Até o fechamento desta matéria, a Câmara Municipal de Campo Grande ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o andamento do processo.
Contexto da manifestação
A manifestação reunia mães de crianças com deficiências — conhecidas como mães atípicas — que cobravam da Prefeitura de Campo Grande o fornecimento de medicamentos, fraldas e outros itens essenciais. Durante o ato, a vereadora Luiza Ribeiro participava em apoio ao grupo e chegou a dialogar com manifestantes.
Em vídeos que circulam nas redes sociais, é possível ouvir provocações verbais trocadas entre participantes do evento. Em determinado momento, uma das envolvidas teria chamado a vereadora de “abortista” e “feminista”, antes do gesto que motivou o pedido de cassação.
Repercussão e desdobramentos
O episódio rapidamente ganhou destaque nas redes sociais e foi classificado por veículos locais como mais um confronto ideológico entre grupos de direita e esquerda em Campo Grande. Enquanto apoiadores de Juliana Gaioso e Vivi Tobias cobram punição, defensores da vereadora afirmam que a ação é desproporcional e tem caráter político.
Até o momento, Luiza Ribeiro não se manifestou oficialmente sobre o episódio nas suas redes sociais nem por meio de nota pública. Fontes próximas à parlamentar indicam que ela estaria avaliando as medidas jurídicas cabíveis.
A Câmara Municipal informou que o protocolo do pedido será encaminhado à Procuradoria Legislativa para parecer jurídico. Só depois dessa análise é que a Mesa Diretora decidirá se o caso será arquivado ou se seguirá para a Comissão de Ética.
Polarização política em evidência
O caso expõe novamente a forte polarização política presente no cenário municipal. De um lado, Juliana Gaioso — ativista de direita e ex-candidata pelo PP — e Vivi Tobias — filiada ao PL — representam a ala conservadora que vem se consolidando na política sul-mato-grossense. Do outro, Luiza Ribeiro, vereadora reeleita pelo PT e conhecida por sua atuação em pautas ligadas à defesa das mulheres, direitos humanos e inclusão social.
Independentemente do desfecho jurídico, o episódio evidencia a tensão ideológica que marca a política de Campo Grande e deve influenciar o debate público nos próximos meses.









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